A exchange centralizada Gemini anunciou recentemente o desligamento de três executivos de alto escalão. As mudanças de liderança ocorrem em meio a cortes operacionais e redução do quadro de funcionários.
Após o anúncio, as ações da empresa recuaram ainda mais, aprofundando a tendência de queda registrada desde que a Gemini abriu capital em setembro passado. As novidades reacenderam questionamentos sobre as perspectivas de longo prazo da exchange.
SponsoredReestruturação executiva ocorre após cortes significativos
Em postagem recente no blog, Tyler e Cameron Winklevoss comunicaram o desligamento do Chief Financial Officer (CFO), Chief Legal Officer (CLO) e Chief Operating Officer (COO) da Gemini. Segundo eles, substitutos interinos foram nomeados para os cargos de CFO e CLO, enquanto a vaga de COO não será preenchida.
Os fundadores classificaram as mudanças como parte de uma transformação mais ampla na empresa, chamando a iniciativa de “Gemini 2.0”. Eles afirmaram que recentes acontecimentos do setor de cripto influenciaram esse processo.
“Durante esse período, mas especialmente mais recentemente, avanços acelerados em IA começaram a transformar de forma expressiva nossa forma de trabalhar na Gemini. Paralelamente, o surgimento dos prediction markets também passou a transformar de forma expressiva os mercados, incluindo o nosso”, afirma a publicação.
O anúncio teve maior repercussão porque ocorreu após a decisão da Gemini, algumas semanas antes, de reduzir sua força de trabalho global em 25%. Além disso, a exchange saiu de diversos mercados internacionais, entre eles Reino Unido, União Europeia e Austrália.
Os acontecimentos recentes provocaram nova volatilidade nas ações da empresa, aprofundando a queda expressiva verificada desde sua estreia na bolsa. Investidores que adquiriram GEMI pelo preço de US$ 28 na estreia agora acumulam perdas de cerca de 77%.
Sponsored SponsoredEm documento apresentado à SEC, a empresa também revelou uma estimativa de prejuízo líquido em torno de US$ 595 milhões para 2025.
Considerados em conjunto, esses fatos aumentaram as críticas sobre a avaliação de mercado da exchange.
Mercados públicos reavaliam crescimento da Gemini
A forte reprecificação das ações da Gemini reacendeu o debate se a exchange estava supervalorizada em sua oferta pública inicial (IPO).
Sponsored SponsoredA avaliação inicial considerava expectativas de manutenção dos volumes negociados e expansão das receitas. Como o mercado de cripto é cíclico, o valor dos papéis pode ter refletido volumes de negociação elevados e maior presença de investidores de varejo.
A queda subsequente, ocorrendo em meio ao recuo geral do mercado, sugere uma revisão das expectativas de lucros.
Os fatos também evidenciam o aumento das pressões competitivas entre exchanges centralizadas.
A fatia de mercado e a liquidez permanecem concentradas nas maiores plataformas, que possuem livros de ordem mais robustos e forte efeito de rede. Enquanto isso, exchanges de médio porte enfrentam custos fixos elevados, mas não possuem escala suficiente para sustentar as margens.
Dados recentes da CoinGecko reforçam esse cenário.
SponsoredEm relatório divulgado em janeiro sobre fatia de mercado das exchanges centralizadas por volume, a CoinGecko informou que, em 2025, a Binance detinha 39,2% do volume à vista negociado entre as maiores plataformas, atingindo US$ 7,3 trilhões. Outras líderes, como Bybit, MEXC e Coinbase, também mantiveram participações expressivas no volume global.
A Gemini não figurou entre as 10 primeiras. Segundo dados da CoinMarketCap, a exchange ocupa atualmente a 24ª posição, com volume de negociação de US$ 54 milhões em 24 horas.
Diante desse contexto, reduções no quadro e retirada de mercados podem ser estratégias de controle de custos e adequação a um cenário cada vez mais consolidado.
A forma como a Gemini conduzirá essa transição será determinante para que os acionistas interpretem a atual instabilidade como um ajuste de curto prazo ou um sinal de desafios estruturais mais profundos.