A Áustria pediu à União Europeia que avalie a possibilidade de sediar a Anthropic dentro do continente, semanas após Washington restringir o acesso estrangeiro aos modelos mais avançados de inteligência artificial da empresa.
O secretário de Estado para Digitalização, Alexander Pröll, apresentou a proposta em uma carta à Comissão Europeia. Ele reconheceu não poder detalhar como o plano funcionaria na prática.
Europa tenta sediar a Anthropic
Pröll enviou o documento à vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen. Ele argumentou que o continente corre o risco de ficar excluído dos avanços da IA de fronteira caso não haja ação imediata.
Na carta, Pröll sugeriu que os Estados-membros considerem uma medida significativamente mais ampla.
“o estabelecimento estratégico e a participação da Anthropic dentro da União Europeia”
Em sua proposta, Pröll citou incentivos como segurança jurídica, novo capital e acesso integral ao mercado único europeu. Não apresentou valor de investimento, cronograma ou plano de implementação, e reconheceu que críticos podem questionar a viabilidade da proposta.
Bruxelas já avalia consequências decorrentes de uma polêmica pública recente.
As restrições dos EUA que motivaram o pedido
Washington iniciou o processo em 12 de junho. O Departamento de Comércio publicou uma diretriz de exportação para os dois modelos mais poderosos da empresa, bloqueando o acesso de qualquer estrangeiro, inclusive funcionários da Anthropic que não são cidadãos americanos.
A ordem afetou o Claude Fable 5 e o Claude Mythos 5, os modelos de IA mais recentes da Anthropic, poucos dias após o lançamento. Sem conseguir filtrar usuários por nacionalidade, a empresa suspendeu ambos globalmente. O Claude Opus 4.8 continuou ativo.
Autoridades citam motivos de segurança nacional. O alerta partiu da Amazon, maior apoiadora financeira da Anthropic, depois que pesquisadores encontraram orientações sobre ciberataques restritos no Mythos. Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que a violação foi limitada, e não um desbloqueio completo. O modelo já havia demonstrado capacidade de invadir sistemas governamentais protegidos.
Em 26 de junho, o governo flexibilizou o bloqueio para mais de 100 instituições americanas de confiança. O Fable 5 continua com acesso restrito.
Qualquer possível mudança enfrenta a base americana da Anthropic. A companhia investe em um centro de dados de US$ 50 bilhões com sedes no Texas e em Nova York. A Amazon já destinou US$ 13 bilhões e atua como principal parceira de treinamento. Em troca, a Anthropic se comprometeu a gastar mais de US$ 100 bilhões em serviços de nuvem da Amazon na próxima década.
A Anthropic também calcula que a IA nos Estados Unidos vai demandar aproximadamente 50 gigawatts de energia adicional até 2028. A Europa está bem atrás nos insumos necessários. O Chips Act europeu estipula que o bloco tenha 20% da produção global de semicondutores até 2030, acima dos atuais menos de 10%. A própria projeção da União aponta para apenas 11,7%, e auditores consideram a meta pouco factível.
O apelo surge no momento em que Bruxelas avalia como responder ao controle americano sobre a inteligência artificial de fronteira. O continente segue à frente em regulação com normas próprias para IA.
No entanto, faltam a infraestrutura computacional, o capital e a base energética que mantêm a Anthropic ancorada nos Estados Unidos. Em breve, deve ficar mais claro se a Comissão vê uma possibilidade concreta ou meramente um sinal político.









