A prolongada fase de queda no mercado de cripto intensificou o medo no setor, com a desvalorização dos ativos reduzindo valores de portfólios e enfraquecendo o sentimento dos investidores.
Em meio a esse cenário incerto, a Arkham identificou seis estratégias que podem ajudar participantes do mercado a navegar e lucrar durante o atual período de baixa das criptomoedas.
6 estratégias essenciais para enfrentar um mercado em baixa
A Arkham explicou que um bear market é um período em que os preços dos ativos caem pelo menos 20% em relação às máximas recentes e mantêm tendência de baixa por um tempo prolongado. Nos mercados tradicionais, essas fases podem persistir por semanas ou até vários anos.
No mercado de cripto, as quedas costumam ser mais severas devido à alta volatilidade. A empresa destacou que não é incomum os valores caírem entre 70% e 90% em relação aos picos durante ciclos de baixa mais intensos.
“…Durante um bear market, máximas e mínimas mais baixas predominam nas movimentações de preços, criando uma clara tendência de queda na maioria dos períodos analisados… Os volumes de negociação frequentemente diminuem nos mercados em baixa, já que participantes encerram posições ou aguardam para limitar perdas. Essa liquidez reduzida pode potencializar ainda mais as oscilações dos preços, tornando-os ainda mais voláteis”, descreve o relatório.
A Arkham ressaltou que períodos de baixa oferecem oportunidades de negociação para participantes que utilizam gestão de risco disciplinada e táticas apropriadas. O relatório destacou vários métodos que traders podem adotar para controlar exposição e potencialmente lucrar em condições adversas, quando executados de maneira adequada.
1. Venda a descoberto
De acordo com a Arkham, uma das maneiras mais simples de lucrar com quedas nas cotações é o short selling. Isso consiste em tomar um ativo digital emprestado, vendê-lo pelo preço atual e recompra-lo mais barato posteriormente, devolvendo ao credor. O lucro está na diferença dos valores.
No entanto, a Arkham alertou que o short selling envolve riscos elevados. Como o preço do ativo pode subir indefinidamente, as perdas potenciais não possuem limite.
“Assim, os traders devem dimensionar corretamente as posições e utilizar ordens de stop-loss para limitar o risco”, explicou a empresa.
2. Opções e produtos inversos
Para quem procura exposição mais controlada à baixa, a Arkham apontou instrumentos como opções de venda (put options) e produtos inversos.
“Ambos esses produtos aumentam de valor quando os preços caem, ainda que por mecanismos diferentes. Ao contrário do short selling, esses instrumentos limitam o risco de baixa, já que o investidor só pode perder o valor aplicado”, esclareceu a Arkham.
Por exemplo, uma opção de venda dá ao comprador o direito de vender um ativo por um preço predeterminado antes do vencimento. Se o valor do ativo cair abaixo desse preço, a put tende a se valorizar. O diferencial está no fato de que a perda máxima do operador se limita ao valor pago pelo contrato.
Produtos inversos são estruturados para se mover na direção oposta ao ativo de referência. Se o valor desce, o produto inverso sobe. Existem, por exemplo, ETFs inversos que acompanham a variação diária ao contrário do índice, permitindo exposição à baixa sem abrir uma operação short tradicional.
3. Operação em faixa
A Arkham também ressaltou o trading em faixa de preço (range trading) como estratégia para momentos menos voláteis do bear market. Quando os preços oscilam entre suportes e resistências definidos, traders buscam comprar próximo aos limites inferiores e vender perto do piso superior.
A instituição observou que esse método tende a ser mais eficaz em períodos de lateralidade, enquanto em vendas agressivas, rupturas invalidam rapidamente esses intervalos técnicos.
4. Acumulação
Além de operar ativamente, a Arkham destacou a relevância da acumulação seletiva. O relatório ressaltou que essas estratégias devem priorizar a compra de ativos de qualidade em preços depreciados, em vez da busca por retornos imediatos.
“Mais que ganhos rápidos, essa tática prepara o investidor para o próximo ciclo de alta. A acumulação disciplinada durante bear markets costuma gerar retornos expressivos para quem tem paciência, embora selecionar bons ativos seja fundamental para capturar esses resultados no futuro”, acrescentou a empresa.
5. Rendimentos de stablecoins
Para participantes mais conservadores, a Arkham indicou que estratégias de rendimento com stablecoins podem ajudar a gerar retorno enquanto se aguarda uma fase de mercado mais positiva. Segundo o relatório,
“Apesar de os rendimentos com stablecoins caírem em fases de baixa, proteger o capital nesses ativos enquanto se recebe juros evita perdas adicionais e aumenta gradualmente o montante disponível para novas oportunidades.”
6. Scalping e day trading
A Arkham pontuou que mercados em baixa também podem gerar chances para operações de scalping e day trade. Essas abordagens buscam capturar movimentos rápidos em curtos intervalos, em vez de aguardar uma reversão de tendência mais longa.
Durante quedas voláteis, oscilações rápidas dentro de um dia, buracos de liquidez e vendas motivadas por pânico oferecem múltiplos pontos de entrada e saída.
“Fases de baixa frequentemente apresentam padrões previsíveis em determinadas sessões, o que permite a operadores experientes capturar pequenos lucros de forma recorrente”, destacou a Arkham.
Scalpers costumam mirar pequenas ineficiências de preço em poucos minutos. Enquanto isso, traders diários buscam obter lucro com variações mais amplas de momentum ao longo do dia.
Por fim, a Arkham destacou que operar durante uma fase de baixa envolve riscos consideráveis. A liquidez reduzida pode causar spreads mais largos e slippage.
Ainda, prejuízos acumulados podem aumentar a pressão emocional, elevando a probabilidade de traders abandonarem suas estratégias e perderem disciplina.