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Em vias de paralisar, UFRJ teve PCs usados por anos para minerar Bitcoin

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Atualizado por Paulo Alves

EM RESUMO

  • Segundo estudo, atividades ilegais começaram no inicio de 2018.
  • Principais criptomoedas mineradas foram Bitcoin (BTC) e Monero (XRM).
  • Pesquisa escancarou mais um problema de estrutura da UFRJ, que pode fechar durante o ano por falta de verbas.
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Estudo feito por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indicou que a energia da instituição foi usada de forma ilegal para mineração de criptomoedas. As atividades teriam sido iniciadas em 2018.

Segundo o estudo, que foi divulgado na plataforma ArXiv, computadores da UFRJ foram invadidos por vírus de criptomoedas, que infectam a máquina e controlam o uso da CPU e da memória para atividades de mineração. Assim, os invasores conseguiram utilizar dispositivos sem o seu conhecimento da instituição.

Os 144 ataques contabilizados ocorreram entre janeiro e fevereiro de 2018. A maior parte das minerações ilegais realizadas foram feitas para obter Bitcoin (BTC) e Monero (XMR).

A invasão dos computadores se deu em um contexto de forte alta das criptomoedas. Na época, o Bitcoin acabava de alcançar seu topo histórico até então, perto de US$ 20 mil no final de 2017, e diversas outras criptomoedas estavam nas máximas.

De acordo com um dos pesquisadores, o estudo só foi iniciado após a descoberta de anomalias na rede, o que resultou na descoberta que um computador do laboratório estava minerando criptomoedas. A pesquisa ainda ressalta que é muito difícil conseguir detectar esse tipo de vírus.

“Uma vez que a mineração começa em uma máquina de infraestrutura pública, ela quase não deixa rastros na rede, tornando sua detecção muito desafiadora. Isso porque simplesmente monitorar a rede pode não ser suficiente para identificar ataques, uma vez que eles têm um aspecto fortemente local e não alavancam nenhuma vulnerabilidade explícita do software.” – diz o estudo da UFRJ.  

As atividades ilegais de mineração geraram diversos gastos para a instituição. Além do aumento do consumo de energia, esse tipo de hack acaba prejudicando o desempenho das máquinas e diminuindo a vida útil de suas peças.

Mineração ilegal de criptomoedas tem aumentado

Uma pesquisa realizada pela Avira Protection Labs em janeiro, destacou que casos envolvendo malwares de mineração como o utilizado nos computadores da UFRJ tem crescido cada vez mais. Houve um aumento de 53% destes ataques somente no último trimestre de 2020.

Essas atividades criminosas acabam sendo extremamente lucrativas para os hackers, que conseguem recompensas de mineração utilizando equipamentos e energia de outras pessoas, reduzindo os seus custos de mineração.

O motivo principal do aumento de ataques seria a grande alta pela qual passam as criptomoedas nos últimos meses, aumentando de forma exponencial os lucros dos mineradores. Pensando nisso, a Microsoft e a Intel selaram uma parceria visando proteger clientes desse tipo de ameaça.

UFRJ poderia lucrar com mineração?

Apesar do problema, o estudo levanta uma possibilidade interessante, especialmente em meio à possibilidade de paralisação de atividades por falta de verbas, junto com outras federais: e se a UFRJ utilizasse sua estrutura para minerar criptomoedas e levantar recursos?

A ideia seria promissora, principalmente em períodos de férias e outros em que os equipamentos não são utilizados pelos estudantes. Entretanto, os pesquisadores destacam alguns problemas a atividade de mineração poderia trazer.

“A monetização da mineração, em benefício da própria universidade, é potencialmente promissora, mas envolve aspectos éticos e implicações ambientais. Uma vez que a universidade tem períodos de baixa movimentação ou ociosidade de recursos, o que ocasiona recursos para ser subutilizada, a mineração pode ser considerada durante esses períodos.”

Conforme destacado, além dos problemas causados com malwares e cryptojacking, a mineração de criptomoedas tem causado preocupações ambientais. Com o aumento da indústria, aumenta também a poluição e o consumo de energia de grandes mineradores em diversos países.

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Anderson Mendes
Membro ativo da comunidade de criptoativos e economia em geral, Anderson é formado pela Universidade Positivo, e escreve sobre as principais notícias do mercado. Antes de entrar para a equipe brasileira do BeInCrypto, Anderson liderou projetos relacionados à trading, produção de notícias e conteúdos educacionais relacionados ao mundo cripto no sul do Brasil.
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