O Banco Central de Reserva (BCR) de El Salvador anunciou a compra de US$ 50 milhões em ouro. Essa é a segunda aquisição desse tipo realizada pelo banco desde 1990.
A aquisição ocorre em meio à valorização histórica do ouro. O ativo subiu quase 20% em 2024, enquanto o aumento de tensões macroeconômicas e geopolíticas incentiva investidores a buscar opções consideradas mais seguras.
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Na divulgação mais recente, o Banco Central informou ter adquirido 9.298 onças troy de ouro, avaliadas em US$ 50 milhões. A operação ocorre após a compra de 13.999 onças troy de ouro realizada em setembro de 2025, igualmente avaliada em aproximadamente US$ 50 milhões na ocasião.
Segundo o BCR, a compra eleva o total de reservas em ouro do país para 67.403 onças troy, reforçando a composição das reservas internacionais.
O banco central classificou o ouro como um “ativo de reserva estratégico universal” que contribui para a estabilidade financeira de longo prazo, protege a economia diante de mudanças estruturais no cenário global e amplia a confiança dos investidores e da população em geral.
“… o Banco Central de Reserva de El Salvador afirma que essa segunda aquisição fortalece os ativos de longo prazo do país, mantendo equilíbrio prudente na composição dos elementos que integram as Reservas Internacionais”, diz o comunicado.
A ampliação das reservas em ouro ocorre no momento em que o país segue aumentando sua posição em Bitcoin. El Salvador consolidou-se como referência global em cripto.
Segundo os dados mais recentes do escritório do Bitcoin no país, as reservas do ativo somam atualmente 7.547 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 635 milhões.
SponsoredProcura por ouro aumenta enquanto mercados buscam segurança
Enquanto isso, a decisão de El Salvador de ampliar exposição ao ouro acontece durante o aumento da procura global pelo metal. O ouro atingiu novos recordes em 2024, acompanhando o movimento de investidores a buscar proteção.
Esse cenário é acompanhado de iniciativas de grandes compradores. O Banco Nacional da Polônia divulgou planos para ampliar suas reservas de ouro até 700 toneladas.
A China também somou mais de 10 toneladas de ouro em novembro. Segundo estimativas do Goldman Sachs, o volume é quase 11 vezes superior ao valor oficialmente informado pelo banco central do país.
“… assumindo que as compras oficiais representem 10% do total realmente adquirido pela China, isso indica acumulação superior a 270 toneladas de ouro físico em 2025. A China está estocando ouro como se vivêssemos uma crise relevante”, publicou a The Kobeissi Letter em X.
Além disso, conforme informou o BeInCrypto, a Tether adicionou cerca de 27 toneladas de ouro no quarto trimestre de 2025. A empresa vem comprando de 1 a 2 toneladas por semana, com objetivo de atingir alocação entre 10% e 15% da carteira.
A procura por ouro tokenizado também cresceu, com dados on-chain apontando aumento de grandes movimentações envolvendo Tether Gold (XAUT) e Paxos Gold (PAXG).
No momento desta reportagem, o ouro era negociado a US$ 5.176, queda de 4% nas últimas 24 horas, enquanto as crescentes tensões entre Estados Unidos e Irã influenciavam ativos em diferentes setores, incluindo commodities, ações e criptomoedas.