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Assassinato de El Mencho espalha violência no México e expõe uso de cripto por cartéis

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

25 fevereiro 2026 09:00 BRT
  • El Mencho, líder do cartel CJNG, foi morto em 22 de fevereiro.
  • CJNG é designado como organização terrorista estrangeira pelos EUA
  • Investigações revelam uso de cripto pelo CJNG para fins ilegais.
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Um dos traficantes mais procurados do mundo está morto. Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, foi morto no domingo (22). Sua morte desencadeou uma onda de violência em diversos estados mexicanos.

Além do impacto na segurança, o foco também recai agora sobre as operações financeiras do cartel. Nos últimos anos, reguladores e especialistas vêm documentando como redes criminosas mexicanas vêm incorporando cripto em suas atividades.

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Quem foi El Mencho?

El Mencho figurava entre os foragidos mais procurados do México e liderava o cartel Jalisco Nova Geração (CJNG). De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, o CJNG foi criado em 2009. Desde então, tornou-se um dos cartéis de drogas mais violentos do país.

“… Avalia-se que possua a maior capacidade de tráfico de cocaína, heroína e metanfetamina do México, e, nos últimos anos, incluiu também a remessa de fentanil para os Estados Unidos”, afirma o texto.

Em 20 de fevereiro de 2025, os Estados Unidos designaram oficialmente o cartel como Organização Terrorista Estrangeira, conforme a Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade.

Além disso, o Departamento de Estado dos EUA havia oferecido uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão ou condenação de El Mencho. Ele foi morto no domingo durante uma operação militar.

Cartaz de recompensa por El Mencho
Cartaz de recompensa por El Mencho. Fonte: Departamento de Estado dos EUA

Após o assassinato, a violência se espalhou por regiões do país. Segundo a BBC, pelo menos 20 estados registraram conflitos, com integrantes do cartel bloqueando estradas e incendiando veículos e estabelecimentos.

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Enquanto os efeitos imediatos ocorreram nas ruas, registros anteriores mostram que o alcance do CJNG vai além do controle territorial.

Nos últimos anos, investigações revelaram a estrutura financeira cada vez mais sofisticada do cartel. Isso inclui o uso de ativos digitais para transferir e lavar recursos através das fronteiras.

Cripto e financiamento de cartéis

Criptomoedas como o Bitcoin (BTC) e Tether (USDT) não são, por si só, ilícitas. Elas são amplamente utilizadas para investimento, pagamentos e inovação financeira.

No entanto, órgãos reguladores e autoridades de segurança identificaram situações em que esses ativos digitais foram empregados em transações ligadas a crimes.

Ainda em 2020, a Reuters noticiou que autoridades dos EUA e do México constataram o aumento do uso do Bitcoin por grandes grupos de tráfico de drogas, como o CJNG e o Cartel de Sinaloa, para lavagem de dinheiro.

Em 2024, a Rede de Repressão a Crimes Financeiros do Tesouro dos EUA (FinCEN) afirmou que organizações criminosas transnacionais baseadas no México estavam utilizando moedas virtuais, como Bitcoin, Ethereum, Monero e Tether, para adquirir precursores químicos do fentanil e equipamentos de fornecedores na China.

Um relatório de março de 2025 da Chainalysis mostrou que suspeitos de comércio químico na China receberam mais de US$ 37,8 milhões em cripto entre 2018 e 2023. Os principais cartéis mexicanos, entre eles o CJNG, foram apontados como compradores desses precursores para produzir opioides sintéticos.

“Análises de blockchain revelam que fornecedores de precursores químicos anunciam diretamente em mercados darknet e aplicativos de mensagens, aceitando ativos digitais por produtos enviados ao México. Após o pagamento, os fundos em cripto são lavados por meio de padrões complexos, como peel chains, layering e cross-chain swaps, muitas vezes sacados por exchanges chinesas ou intermediários internacionais”, revelou a TRM Labs .

Em agosto de 2025, a FinCEN também destacou que o CJNG, o Cartel de Sinaloa, o Cartel do Golfo e outras organizações criminosas transnacionais com atuação no México estavam utilizando redes chinesas de lavagem de dinheiro (CMLNs) para escoar recursos ilegais.

Segundo a Chainalysis, as CMLNs já exercem papel dominante na lavagem de dinheiro com cripto. Em 2025, essas redes foram responsáveis por cerca de 20% das operações conhecidas de lavagem envolvendo ativos virtuais.

Com a ampliação dessas operações, o foco regulatório se tornou mais intenso. Segundo o escritório do procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, Paul Campo, ex-agente da DEA, e Robert Sensi foram indiciados por conspiração para fornecer apoio material ao CJNG.

“Como parte do esquema, CAMPO e SENSI concordaram em lavar aproximadamente US$ 12 milhões de receitas do tráfico do CJNG; lavaram cerca de US$ 750 mil convertendo dinheiro em espécie em criptoativos; e efetuaram um pagamento referente a aproximadamente 220 quilos de cocaína, entendendo que esse pagamento desencadearia a distribuição e comercialização das drogas avaliadas em cerca de US$ 5 milhões, pelas quais CAMPO e SENSI (i) receberiam diretamente uma parcela dos lucros do tráfico; e (ii) obteriam uma comissão adicional ao lavar o restante das receitas das drogas”, informou o comunicado de imprensa divulgado.

Assim, a morte de El Mencho representa um marco expressivo na luta do México contra o crime organizado. No entanto, os sistemas financeiros que sustentam grandes cartéis seguem complexos, transnacionais e tecnologicamente adaptáveis, indo muito além da atividade de um só indivíduo.

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