O dólar fechou a R$ 5,12, o menor nível em 21 meses. Para Jaqueline Neo, especialista de câmbio e crédito da be.smart, o movimento reflete um ambiente externo mais favorável às moedas de países emergentes.
A principal explicação vem dos Estados Unidos. O mercado passou a acreditar que o Federal Reserve, o banco central americano, vai cortar os juros em breve. Com isso, o dólar perdeu força no mundo todo e os investidores passaram a buscar ativos de maior risco, como os de países em desenvolvimento.
O Brasil se beneficia desse cenário por dois caminhos. O primeiro é o diferencial de juros: o país ainda oferece uma das maiores taxas de juros reais do mundo, o que atrai capital estrangeiro por meio do chamado carry trade, estratégia em que investidores tomam dinheiro emprestado em países com juros baixos e aplicam onde o retorno é maior. O segundo é o bom desempenho das commodities, como soja e minério de ferro, que aumenta o fluxo de dólares pelo comércio exterior.
O câmbio mais baixo ajuda a conter a inflação, já que produtos importados ficam mais baratos. Mas Jaqueline alerta para os riscos do cenário.
O câmbio brasileiro é muito sensível à situação fiscal do país e ao ambiente político interno. Do lado de fora, se os cortes de juros nos Estados Unidos demorarem mais do que o esperado, o dólar pode voltar a subir. O patamar atual acompanha o ciclo global, mas depende de que esse cenário favorável se mantenha.