A oferta monetária global atingiu um novo recorde histórico em dezembro de 2025, reforçando um cenário de liquidez que, historicamente, tem favorecido ativos considerados refugio.
O ouro reagiu de acordo, mantendo sua trajetória de alta apesar de recuos acentuados, mas breves. No entanto, o Bitcoin, frequentemente chamado de “ouro digital”, apresentou oscilações mais voláteis no preço.
Dupla identidade do Bitcoin pesa sobre o preço com recuo do apetite por risco
A liquidez global segue em rápida expansão. Segundo o Kobeissi Letter, a oferta monetária global atingiu o patamar recorde de US$ 144 trilhões em dezembro de 2025. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de US$ 13,6 trilhões, ou 10,4%.
O dado de dezembro marca o terceiro mês seguido de aceleração no crescimento.
“Desde a pandemia de 2020, a oferta monetária cresceu mais de US$ 44 trilhões, ou seja, mais 44%. O maior ritmo de crescimento desse período foi registrado em fevereiro de 2021, com alta de 18,7%. A criação de dinheiro no mundo nunca avançou tão rapidamente fora de uma crise”, destacou o post.
Se a oferta global de dinheiro atinge um recorde histórico, a expectativa clássica seria: mais liquidez leva à valorização de ativos. Jurrien Timmer, diretor global de macro da Fidelity, ressaltou que o ouro está seguindo essa tendência, enquanto o Bitcoin não acompanha o mesmo movimento.
Timmer pontuou que, apesar da volatilidade e de uma queda de 21% no início deste mês, o ouro tem se mostrado resistente. Segundo ele, o metal comporta-se como tipicamente ocorre em ciclos de alta, com correções pontuais e rápidas que logo despertam novo interesse de compra.
“O ouro pode ser considerado o ativo de dinheiro forte por excelência e tem acompanhado a expansão da oferta monetária global passo a passo. O Bitcoin é visto da mesma forma, porém, como mostra o gráfico abaixo, sua movimentação de preço em relação à liquidez mundial foi muito mais volátil que o ouro”, explicou.
Timmer explicou que a razão para essa diferença é simples. De acordo com ele, o ouro representa apenas uma coisa: “dinheiro forte”. Já o Bitcoin representa uma possível moeda robusta, mas ao mesmo tempo é tratado como um ativo especulativo.
O executivo da Fidelity acrescentou também que, quando a variação do índice de software e SaaS é considerada junto ao crescimento da liquidez, fica claro que, quando o componente especulativo do mercado torna-se negativo, acaba se sobrepondo ao ambiente favorável proporcionado pela liquidez que sustentaria o BTC.
Ele destacou que períodos com expansão da liquidez e apetite especulativo forte historicamente potencializam condições otimistas, resultando em ciclos expressivos de valorização. Contudo, o oposto também ocorre.
“Atualmente, temos um cenário de crescimento robusto de liquidez, mas com mercado de baixa na especulação. O resultado: o Bitcoin permanece estagnado, enquanto o ouro e a oferta monetária avançam”, afirmou.
Por enquanto, o distanciamento entre ouro e Bitcoin revela que o aumento de liquidez sozinho não garante desempenho positivo das criptos quando o apetite especulativo diminui. Se o Bitcoin voltará a se alinhar à liquidez global depende da retomada do interesse especulativo pelo segmento, algo que segue incerto à medida que fevereiro de 2026 se encerra.