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Discurso de Trump sobre o Estado da União não indica alívio nas taxas e ignora o setor cripto

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

25 fevereiro 2026 10:30 BRT
  • Inflação persistente e política tarifária indefinida mantêm cortes de juros do Fed distantes.
  • Discurso de quase duas horas não menciona cripto ou ativos digitais.
  • Suprema Corte derruba tarifas emergenciais; Trump promete alternativas mais rígidas com nova autoridade legal.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou hoje (25) um discurso do Estado da União que durou quase duas horas — o mais longo da história do país — destacando avanços econômicos, alertando o Irã contra o desenvolvimento de armas nucleares e defendendo sua política tarifária após derrota na Suprema Corte.

Apesar disso, em uma fala que abordou impostos, Inteligência artificial, habitação e saúde, os ativos digitais foram completamente ignorados.

Todos os Trumps estavam presentes, mas não a cripto

A ausência chama atenção. Todos os filhos de Trump estavam presentes, incluindo Donald Jr. e Eric, os quais estão envolvidos em negócios de cripto como a World Liberty Financial e diversos lançamentos de tokens.

O próprio presidente tem reiterado a promessa de transformar os EUA na “capital mundial da cripto”. Nenhuma referência foi feita no discurso.

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Caos tarifário e inflação persistente mantêm o Fed em espera

Para os mercados de cripto, os sinais mais relevantes foram macroeconômicos, não legislativos.

Trump classificou como “muito lamentável” a decisão da Suprema Corte que derrubou suas tarifas emergenciais e afirmou que manterá as medidas sob outras bases legais, defendendo que “ação do Congresso não será necessária”.

Mas a implementação rapidamente se tornou confusa. Trump inicialmente anunciou uma taxa de substituição de 10%, depois aumentou para 15% dias depois. No entanto, documentos oficiais mostram que a taxa menor entrou em vigor na terça-feira sem orientação para aumento. A União Europeia suspendeu a ratificação do acordo comercial previsto para o verão na segunda-feira; a Índia adiou conversas planejadas.

Trump voltou a afirmar que tarifas poderiam “substituir substancialmente” impostos sobre a renda. Economistas consideram isso improvável. O governo federal arrecadou US$ 2,4 trilhões em impostos sobre a renda em 2024, mas apenas cerca de US$ 300 bilhões em tarifas — sendo que, após a decisão judicial, deve devolver aproximadamente metade desse valor. Além disso, quem paga as tarifas são os importadores americanos, não governos estrangeiros.

Quanto à inflação, Trump declarou que a inflação subjacente caiu de 1,7% no final de 2025. Porém, a situação é mais complexa: o principal indicador do Fed — o PCE subjacente — acelerou para 3% em dezembro, acima da meta de 2%.

Com a inflação persistente e incertezas nas tarifas, o mercado espera que o Fed mantenha os juros estáveis por tempo indefinido. Os cortes de 0,75 ponto percentual realizados no final do ano passado parecem ter sido os últimos por ora. Para ativos de risco, incluindo cripto, o contexto de juros elevados continua.

IA recebe atenção, cripto não

Enquanto a cripto não foi citada, a Inteligência artificial ganhou destaque. Trump anunciou um “compromisso de proteção ao consumidor”, determinando que empresas de tecnologia construam suas próprias usinas para centros de dados, ao reconhecer que a rede elétrica “jamais suportaria” a crescente demanda.

Também foi ressaltado o trabalho da primeira-dama Melania Trump na legislação de IA — sinalizando que a política de Inteligência artificial ocupa posição muito mais relevante na agenda do governo do que a regulação de ativos digitais.

Conclusão

O discurso mais longo já feito por Trump serviu como campanha para o pleito de meio de mandato e se baseou em otimismo econômico. Para participantes do setor de cripto, a mensagem é clara: não há avanços legislativos para ativos digitais, ainda que a família do presidente esteja profundamente inserida na indústria; turbulências tarifárias seguem gerando incertezas macroeconômicas; e o Fed permanece paralisado diante da inflação resistente. Não há expectativa de mudanças nesses fatores que pressionam os ativos de risco.

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