O mercado de criptomoedas dá sinais de recuperação após uma forte correção em fevereiro. Nesta segunda-feira (16), a capitalização total do setor chegou a cerca de US$ 2,6 trilhões. No mês anterior, esse valor havia caído 22,6%, atingindo US$ 2,36 trilhões.
A expectativa de melhora na liquidez global e a retomada de fluxos em produtos ligados a criptoativos explicam parte do movimento.
RWA em expansão
Mesmo diante da volatilidade recente, um segmento segue crescendo: os ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como RWAs (Real World Assets). O conceito se refere a bens físicos ou financeiros tradicionais, como imóveis, títulos públicos e ouro, representados digitalmente em uma blockchain.
Segundo relatório mensal da Binance Research, os RWAs alcançaram cerca de US$ 25,4 bilhões em valor, alta de aproximadamente 4,7% em relação ao mês anterior.
O crescimento foi puxado por produtos lastreados em títulos do Tesouro e pelo renovado interesse em ouro tokenizado, em meio à alta dos preços globais do metal. O relatório aponta aumento tanto no valor dos ativos quanto no número de detentores, o que indica interesse contínuo por parte de investidores institucionais e de varejo.
Sequência de baixa
Fevereiro foi marcado por sentimento profundamente negativo. O Índice de Medo e Ganância, indicador que mede o humor dos investidores em uma escala de 0 a 100, ficou abaixo de 20 durante todo o mês e chegou brevemente à mínima histórica de 5.
O resultado estendeu para cinco meses consecutivos a sequência de retornos negativos para os principais criptoativos. Uma sequência assim não era registrada desde o mercado de baixa de 2018.
Entre os dez maiores criptoativos, o desempenho em fevereiro foi amplamente negativo. O TRX foi o mais resiliente, com queda de apenas 4,6%. Ethereum recuou 30,8%, Solana 29,6% e BNB 28,4%. XRP caiu 26,2%, LINK 24,5% e Cardano (ADA) 19,7%.
O Bitcoin também permaneceu sob pressão, recuando em relação à sua máxima histórica e se aproximando de US$ 54 mil, nível historicamente associado às fases finais de desalavancagem, processo em que investidores encerram posições financiadas por dívida. Atualmente, a maior criptomoeda do mercado é negociada acima de US$ 73 mil, alta de 35% desde a mínima do ano.
ETFs voltam a captar
Os mercados acompanham sinais de estabilização. Os ETFs de Bitcoin à vista, fundos negociados em bolsa que investem diretamente na criptomoeda, voltaram a registrar entradas líquidas.
Na última semana, os produtos de investimento em ativos digitais registraram entradas de US$ 1,06 bilhão pela terceira semana consecutiva, segundo levantamento da CoinShares. O Brasil respondeu por US$ 2,5 milhões dessas entradas.
O pico da temporada de restituição de impostos nos Estados Unidos nas próximas semanas também é apontado como fator que pode injetar liquidez adicional em ativos de risco.
DeFi em queda
O setor de finanças descentralizadas, o DeFi, conjunto de serviços financeiros que operam sem intermediários tradicionais, também sentiu o impacto. O valor total bloqueado (TVL) nos protocolos, métrica que indica quanto capital está aplicado no setor, caiu 18,4% em fevereiro, para US$ 95,7 bilhões.
As mudanças na participação de mercado entre os cinco principais ecossistemas foram limitadas. O Ethereum registrou declínio modesto. A rede Base seguiu em expansão, com seu TVL crescendo de forma constante e representando cerca de 46,5% do total das redes de camada 2 do DeFi, que são soluções construídas sobre blockchains principais para aumentar a capacidade e reduzir custos de transação.