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2026 terá um mercado de baixa extremo em cripto? Especialistas analisam

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

02 janeiro 2026 17:59 BRT
  • O Bitcoin fechou 2025 em queda de 5,7% e levanta preocupações sobre um mercado de baixa em 2026.
  • Especialistas afirmam que ciclos tradicionais de quatro anos podem não definir mais o comportamento do mercado.
  • Queda extrema depende de choques de liquidez, falhas de alavancagem ou interrupção nos fluxos institucionais.
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2026 começou em meio a uma expressiva incerteza sobre o desempenho do mercado cripto neste ano. Esse clima de preocupação ganha destaque após 2025 ter apresentado resultados contrários às expectativas predominantes do setor.

Com perspectivas divididas, uma pergunta permanece: 2026 resultará em um dos mercados de baixa mais acentuados da história da cripto? O BeInCrypto conversou com diversos especialistas do setor para analisar o que este ano pode reservar.

Ciclo de quatro anos do bitcoin pode não determinar mais o cenário para 2026

O BeInCrypto já destacou que as projeções para o mercado cripto em 2025 eram amplamente otimistas, sustentadas por um presidente dos EUA favorável à cripto e por ventos macroeconômicos positivos, como cortes nas taxas do Federal Reserve e injeções de liquidez.

No entanto, apesar desses fatores, o ano registrou saldo negativo. O Bitcoin encerrou 2025 com queda de 5,7%, enquanto uma forte pressão vendedora no quarto trimestre fez o ativo cair de 23,7%, registrando seu pior desempenho em um quarto trimestre desde 2018.

Bitcoin Quarterly Performance. Source
Desempenho trimestral do Bitcoin. Fonte: Coinglass
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O resultado aquém do esperado levou muitos especialistas a revisarem suas projeções e a questionarem o rumo do mercado. Em períodos de dúvida, investidores costumam recorrer a padrões históricos.

Para o Bitcoin, o ciclo de quatro anos é um dos principais modelos utilizados para tentar antecipar os próximos movimentos do mercado. Por essa perspectiva, 2026 seria, normalmente, o início de uma tendência de baixa.

Isso significa que novas quedas estão por vir? Nem sempre. Um número crescente de especialistas argumenta que esse padrão pode já não valer como antes.

Nic Puckrin, analista e cofundador da Coin Bureau, avaliou que o ciclo de quatro anos pode não ser mais o melhor parâmetro para analisar o Bitcoin. Ele afirmou que a dinâmica do mercado mudou de forma expressiva com a aprovação do ETF e o aumento do capital institucional.

“Embora 2025 tenha sido decepcionante em termos de performance, isso não se refletiu em aceitação e adoção institucional. Daqui para frente, os fatores determinantes devem ser macroeconômicos ou geopolíticos, e não baseados apenas no tempo. O Bitcoin passa a responder cada vez mais às tendências dos demais ativos financeiros, não apenas ao ciclo de halvings”, observou Puckrin.

Jamie Elkaleh, CMO da Bitget Wallet, acrescentou que agora os ciclos macro tradicionais se mostram mais confiáveis. Segundo ele,

“A sensibilidade do Bitcoin à liquidez global, à expansão do M2 e à política do Fed supera, cada vez mais, o impacto mecânico dos halvings. Estamos, de fato, assistindo a uma ‘desvalorização’ do halving na cripto, com os fluxos institucionais via ETF promovendo uma demanda constante que reduz a volatilidade causada por choques de oferta.”

De forma semelhante, Andrei Grachev, sócio-gerente da DWF Labs, destacou que, embora o halving ainda seja relevante, deixou de ser a única justificativa para os movimentos do mercado.

Ele afirmou que, à medida que a cripto se torna mais institucionalizada, passa a se comportar como uma classe de ativos global, e não apenas como um sistema fechado. Dessa forma, modelos de previsão baseados em ciclos simples se tornam menos eficazes.

Por que 2026 desafia o clássico modelo de alta e baixa?

Na ausência do ciclo de quatro anos, alguns analistas apontam para modelos históricos de longo prazo, como o Ciclo de Benner. Nesse formato, 2026 seria caracterizado como “Anos de crescimento, preços altos e, momento de vender ações e valores em geral”.

Benner Cycle. Source: Business Prophecies of the Future Ups and Downs in Prices
Ciclo de Benner. Fonte: Business Prophecies of the Future Ups and Downs in Prices

Se esse padrão continuar, pode indicar um ambiente amplamente favorável. Isso garante uma nova tendência de alta? Especialistas alertam que a resposta já não é tão simples.

Elkaleh afirmou ao BeInCrypto que a frustração das expectativas positivas para 2025 sinaliza uma transição clara de um mercado dominado por especulação para uma classe de ativos ajustada ao macro.

“Em vez de um cenário binário de alta ou baixa, 2026 se desenha como um período de consolidação estrutural. O excesso de alavancagem foi eliminado, mas a infraestrutura — ETFs, tesourarias corporativas e diretrizes regulatórias mais claras, como a GENIUS Act — indica que qualquer movimento negativo tende a estabelecer um patamar superior ao dos ciclos anteriores. À medida que a redução nas taxas estabilizar o custo de capital, essa consolidação pode evoluir para um ciclo de alta mais disciplinado e cauteloso no fim de 2026, em vez de um movimento especulativo intenso”, avaliou.

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Grachev compartilhou uma visão semelhante, argumentando que 2026 pode não se encaixar nos rótulos clássicos do mercado.

“Não vejo 2026 como um ciclo tipicamente definido entre alta ou baixa. Podemos começar a observar uma divergência. O Bitcoin continuará liderando os mercados, mas não estou convencido de que outros ativos cripto seguirão em sintonia, como ocorreu em ciclos anteriores”, opinou.

O executivo também comentou que, apesar da tendência de alta volatilidade nas altcoins, as possibilidades de resultados podem ser muito mais amplas. No geral, esses sinais apontam para uma estrutura de mercado mais disciplinada e sensível à demanda.

Grachev destacou que o “reset doloroso” ocorrido com a queda de 10 de outubro deixou o mercado em uma posição mais saudável. A partir de agora, o ambiente tende a ser menos frágil e mais sensível à demanda.

Por fim, Puckrin caracterizou os últimos meses como uma fase de reprecificação, marcada pela venda de investidores antigos e pela compra de excedentes por instituições.

“Nos próximos meses, ainda espero que o mercado se reequilibre, preparando o terreno para um novo recorde histórico no próximo ano. No entanto, é provável que haja mais volatilidade e dificuldade nesse período”, afirmou.

O cenário pessimista para cripto em 2026: o que pode dar errado

Embora as perspectivas gerais permaneçam cautelosamente otimistas, o mercado apresenta um histórico de contrariar expectativas. O BeInCrypto questionou especialistas sobre quais fatores poderiam, de fato, desencadear ou intensificar um grande ciclo de baixa das criptos em 2026.

Segundo Puckrin, um cenário extremo de baixa provavelmente exigiria a convergência de vários fatores, como aperto na liquidez global, ambiente de maior aversão ao risco e choques estruturais.

Para o Bitcoin, esse tipo de choque poderia ocorrer se tesourarias de ativos digitais em conjunto começarem a vender em um mercado já fragilizado, incapaz de absorver tamanho volume.

“O estouro da bolha de IA também pode ser um catalisador que puxe o setor de cripto para baixo. Porém, se a liquidez e a demanda retornarem, esse cenário de baixa tende a ser menos provável em 2026”, projetou o analista.

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Elkaleh avaliou que uma grande baixa das criptos em 2026 provavelmente teria origem em choques externos, e não em fragilidades internas do setor.

“Riscos importantes incluem o estouro de uma bolha de IA, provocando forte queda das ações dos EUA, renovação do aperto da política monetária caso a inflação persista ou eventos sistêmicos de confiança, como a falência de uma grande exchange ou de uma tesouraria corporativa excessivamente alavancada. Num cenário em que o fluxo institucional estacione em meio a instabilidade geopolítica, a ausência de novos compradores pode acelerar a saída de capital e pressionar as cotações para níveis historicamente realizados próximos de US$ 55.000 a US$ 60.000”, detalhou o executivo.

Konstantins Vasilenko, cofundador da Paybis, afirmou que uma baixa extrema em 2026 provavelmente seria uma extensão das condições atuais, caracterizadas por um mercado dominado por instituições e baixa participação de investidores de varejo.

“Se o fluxo institucional desacelerar ou for interrompido enquanto o varejo permanece à margem, a pressão de queda pode persistir sem um gatilho claro de recuperação”, afirmou Vasilenko.

Maksym Sakharov, cofundador e CEO do grupo WeFi, alertou que futuros momentos de estresse de mercado podem vir da alavancagem.

“Algum novo produto de rendimento seguro ou stablecoin algorítmica que funciona até deixar de funcionar. Ou mais uma exchange operando um sistema de reservas fracionárias nos bastidores. O gatilho é sempre a alavancagem, escondida onde não deveria estar”, revelou ao BeInCrypto.

Como o mercado pode evitar um ciclo de baixa

Por outro lado, especialistas também listaram pontos que poderiam invalidar totalmente o cenário negativo e favorecer um novo ciclo positivo. Grachev indicou que a tendência de baixa perde força principalmente por dois motivos: um perfil de alavancagem mais saudável e a entrada de capital com horizontes mais longos.

Ele destacou que, em comparação com ciclos anteriores, o risco em excesso diminuiu, levando a um comportamento de mercado mais disciplinado. Ao mesmo tempo, regulações mais pragmáticas estão expandindo o acesso institucional.

“Se as instituições voltarem a alocar capital após o fim do ano (como ocorre com frequência) e a clareza regulatória continuar a crescer, o mercado cripto verá um cenário mais favorável para uma recuperação saudável”, reforçou Grachev.

Elkaleh sugeriu que o argumento de baixa enfraquece significativamente caso apareçam sinais de adoção soberana ou tokenização em larga escala de ativos financeiros. Ele citou que, se uma nação do G20 adicionasse Bitcoin a suas reservas estratégicas ou se reguladores dos EUA autorizassem maior tokenização do mercado de capitais, a narrativa de escassez do Bitcoin poderia migrar do especulativo para o essencial.

“Ao mesmo tempo, a adoção generalizada de RWAs, pagamentos em stablecoins on-chain e avanços positivos das políticas nos EUA podem ancorar a demanda em utilidade real. Somados a um possível superciclo de liquidez — impulsionado por estímulos fiscais ou enfraquecimento do dólar americano — esses fatores podem superar pressões cíclicas e sustentar uma nova fase de alta, com potencial para buscar patamares acima de US$ 150.000”, afirmou o CMO da Bitget Wallet.

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Mark Zalan, CEO da GoMining, fez uma análise mais longa, lembrando que a resiliência do setor cripto se constrói quando a demanda estrutural passa a superar o sentimento cíclico. Ele apontou três vetores:

  • Catalisadores macroeconômicos e políticos: adoção soberana, reconhecimento estratégico do Bitcoin ou mudanças de juros que direcionem capital para ativos duros.
  • Entradas institucionais sustentadas: demanda consistente por ETFs e tesourarias, absorvendo a oferta mesmo durante períodos de retração.
  • Crescimento do uso no mundo real: ampliação do emprego do Bitcoin em pagamentos, garantias e proteção, para além da especulação.

Como identificar um mercado de baixa de cripto antes que apareça no preço

Se 2026 será marcado por um ciclo de alta, baixa ou algo intermediário, será fundamental observar sinais prévios que podem indicar o cenário futuro.

Para Puckrin, a atenção está menos voltada aos movimentos pontuais de preço e mais à estrutura do mercado. Ele ressaltou que quebras persistentes abaixo das médias móveis de 50 e 100 semanas, somadas a repetidas falhas em sustentar resistências importantes, seriam sinais de alerta.

“A região dos US$ 82.000 é considerada um valor médio real de mercado — base média dos investidores ativos — sendo um ponto fundamental de observação. Da mesma forma, US$ 74.400 representa o preço médio da Strategy, outro nível-chave. Uma queda abaixo desses patamares não sinalizaria automaticamente uma baixa extrema, mas exigiria cautela”, destacou ao BeInCrypto.

Elkaleh afirmou que, antes de uma movimentação de preços confirmar um ciclo de baixa acentuado, diversos sinais on-chain costumam surgir primeiro. Uma queda sustentada em carteiras com saldos entre 100 e 1.000 BTC indicaria que participantes com maior conhecimento estão reduzindo sua exposição.

Ele acrescentou que, caso a demanda de compra on-chain enfraqueça enquanto os preços permanecem relativamente estáveis, isso geralmente sugere que o mercado está sendo sustentado por alavancagem, em vez de interesse genuíno e orgânico. Ao mesmo tempo, o crescimento contínuo da oferta de stablecoins pode sinalizar aumento de estresse, à medida que o capital migra para posições defensivas, permanecendo dentro do ambiente de cripto.

Por outro lado, Sakharov argumentou que a tendência inversa seria motivo de maior preocupação. Ele mencionou:

“Esqueça o preço e observe para onde vão os dólares. Se o valor total de mercado das stablecoins diminui, é um sinal claro de que o capital está abandonando totalmente o ecossistema. Isso difere de uma queda na qual o dinheiro apenas circula ou fica aguardando à margem. Eu também acompanharia o uso real nas plataformas de stablecoins. Se a infraestrutura continuar movimentada, a queda é apenas uma reorganização da narrativa.”

Enquanto isso, Grachev acredita que os primeiros sinais geralmente vêm dos derivativos e das condições de liquidez, pois é nesse setor que mudanças no apetite por risco se tornam mais visíveis.

Taxas de financiamento negativas persistentes, queda do interesse aberto e diminuição da profundidade de livros de ordens apontam para uma postura mais defensiva, já que participantes reduzem exposição e o capital age com maior cautela.

“Quando fica mais difícil negociar volumes relevantes sem impactar o mercado, isso indica que a liquidez está recuando e a tolerância a risco diminuindo. O estresse também aparece rapidamente em projetos movidos por incentivos. Se a atividade cai rapidamente quando os incentivos cessam, isso mostra que a demanda era majoritariamente reflexiva, não sustentável. À medida que o mercado amadurece, esses sinais estruturais passam a ter mais peso do que variações de preços de curto prazo. Os preços podem oscilar temporariamente, mas liquidez, profundidade e comportamento do capital são muito mais difíceis de manipular”, afirmou o executivo.

Em 2026, o mercado de cripto é cada vez mais moldado por fatores macroeconômicos, movimentação institucional e dinâmicas de liquidez, em vez de ciclos históricos fixos. Embora o risco de novas quedas persista, especialistas avaliam que o setor ingressa em uma fase de consolidação e divergência, em que sinais estruturais e fluxos de capital pesam mais que as classificações simples de mercado em alta ou baixa.

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