O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA para março subiu 3,3% em relação ao ano anterior, abaixo da mediana das previsões de Wall Street, que apontavam 3,4%. O Bitcoin (BTC) reagiu imediatamente, ultrapassando US$ 72.300.
O núcleo do CPI, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, registrou 2,6% ao ano, abaixo do consenso de 2,7%. Os números mais brandos do que o esperado sinalizaram de forma clara aos mercados de risco.
Por que o CPI divulgado hoje importa mais do que o próprio número?
Março trouxe o primeiro relatório de inflação a capturar integralmente o choque nos preços do petróleo relacionado ao conflito no Irã. O barril de petróleo bruto ultrapassou US$ 115 no início do mês, elevando o preço da gasolina nos EUA acima de US$ 4 por galão pela primeira vez desde agosto de 2022.
Bancos de Wall Street, como Bank of America, JPMorgan e Wells Fargo, projetavam o CPI principal entre 0,87% e 0,99% mês a mês. A mediana da pesquisa de Nick Timiraos indicava 0,90% mensal e 3,3% anual.
Entretanto, o núcleo da inflação mostrou outro cenário. Com 0,26% na comparação mensal, ficou abaixo da maioria das estimativas dos bancos, sugerindo que o choque energético ainda não impactou os preços ao consumidor de forma ampla.
O resultado do núcleo do CPI foi mais brando do que o esperado, mesmo diante do maior salto dos preços de energia desde 2005.
O BTC subiu de aproximadamente US$ 71.900 para US$ 72.320 após a divulgação, e o dado mais suave renovou as apostas de que o Federal Reserve pode ter espaço para cortar juros ainda em 2026.
Apesar disso, investidores devem agir com cautela para não entrar na alta, pois o chamado “efeito de venda após a notícia” pode gerar queda em meio à liquidez de saída esperada com a realização de lucros.
Narrativa de corte de juros muda
Ainda assim, a ferramenta CME FedWatch indica 98,4% de probabilidade de o Fed manter as taxas entre 3,50% e 3,75% na reunião de 29 de abril. Apenas 1,6% dos traders apostam em alta de juros.
Contudo, operadores intensificaram apostas em um corte na taxa de juros do Fed em 2026.
O Fed elevou sua própria previsão de inflação para 2026 a 2,7% na reunião de março. Sete dos 19 dirigentes agora preveem nenhum corte neste ano.
Essa postura mais cautelosa torna a leitura mais branda do núcleo hoje relevante, pois desafia a narrativa de reaceleração.
A questão central do relatório não é se a inflação ficou em 3,3% ou 3,4%, mas se a pressão de preços se espalha além da energia ou se é um salto temporário provocado pelo petróleo.
Se o núcleo mantiver-se abaixo de 2,7%, reforça a ideia de que o choque energético relacionado ao Irã segue isolado. Essa distinção deve influenciar se o BTC testará novamente os US$ 75 mil ou recuará para o suporte de US$ 67 mil nas próximas semanas.