O preço do Bitcoin (BTC) está sendo negociado próximo de US$ 66.600 após corrigir cerca de 40% desde a máxima de janeiro, de US$ 98 mil. O movimento de recuperação iniciado no fundo de US$ 60 mil, em fevereiro, já indica sinais de exaustão.
O canal ascendente que se formou após a queda pode sugerir uma reação de mercado. No entanto, uma divergência oculta de RSI, a diminuição da confiança dos investidores de longo prazo, a redução das perdas entre investidores de curto prazo e um mapa de liquidações otimista apontam para a mesma direção.
Divergência oculta aparece dentro de um canal de alta
O preço do Bitcoin está sendo negociado dentro de um canal paralelo ascendente no gráfico diário desde o início de fevereiro, configuração que surgiu após a queda de quase 40%, de US$ 98 mil para o patamar de US$ 60 mil. Canais ascendentes desenhados após correções acentuadas costumam funcionar como padrões de continuação, indicando que a fase de consolidação pode resultar em queda e não em alta.
O Índice de Força Relativa (RSI), um oscilador de momento, formou uma divergência oculta de baixa no gráfico diário. Entre 2 de fevereiro e 25 de março, o preço atingiu uma máxima menor enquanto o RSI registrou máxima mais elevada. Esse tipo de divergência indica que o movimento dominante, neste caso a tendência de baixa, tende a ser retomado, apesar do aparente alívio recente.
Uma divergência semelhante surgiu entre 2 de fevereiro e 4 de março. Após a confirmação daquele sinal, o preço do BTC recuou 11% nas sessões seguintes. A atual divergência foi confirmada em 25 de março e, desde então, o Bitcoin já registra recuo.
A linha de tendência inferior do canal está próxima. Um fechamento diário abaixo desse limite deve romper a estrutura ascendente e endossar o cenário de baixa. No entanto, o alerta do RSI isoladamente não confirma se essa correção terá força suficiente para alcançar o piso do canal. Os dados do blockchain sobre confiança dos investidores ajudam a esclarecer esse cenário.
Convicção diminui enquanto perdas de curto prazo permanecem limitadas
A variação líquida na posição dos investidores de Bitcoin, métrica da Glassnode que acompanha a acumulação em carteiras que mantêm BTC por mais de 155 dias ao longo de 30 dias, atingiu 46.462 BTC em 15 de março. Até 26 de março, esse fator caiu para 35.278 BTC, baixa de cerca de 24%.
Apesar de uma leve recuperação desde 24 de março, a tendência predominante desde meados do mês segue para baixo. Esses investidores de médio prazo, considerados o pilar da convicção no mercado, estão reduzindo o ritmo de acumulação mesmo enquanto o Bitcoin segue no canal ascendente. Esse comportamento sugere que não veem o atual movimento como sinal de recuperação consistente.
O comportamento dos investidores de curto prazo acrescenta outro fator de risco. O lucro/prejuízo líquido não realizado dos detentores de curto prazo (NUPL), indicador que mede a lucratividade agregada para carteiras com BTC por menos de 155 dias, está em -0,21. Esse patamar indica zona de capitulação.
No entanto, quando a moeda tocou US$ 62.800 no início de fevereiro, o NUPL de curto prazo caiu para -0,47, muito mais profundo na faixa de capitulação. A leitura atual de -0,21, embora o preço esteja um pouco mais elevado em US$ 68.500, sinaliza que esses participantes estão com perdas significativamente menores do que no fundo de fevereiro. Caso a confiança dos investidores continue enfraquecendo e o canal seja rompido, esses agentes poderão ver a redução do suporte como um sinal para vender, acelerando a queda.
Os dados do blockchain revelam um ambiente de mercado no qual a confiança está sendo corroída de forma discreta. O segmento de derivativos mostra se os traders já se posicionaram para esse panorama ou permanecem expostos ao risco.
Preço do Bitcoin enfrenta uma grande parede de liquidação em US$ 64 mil
O mapa de liquidações do contrato perpétuo Gate BTC/USDT para posições ativas há 30 dias indica um cenário ainda bastante otimista. O volume acumulado de liquidações alavancadas em posições compradas soma US$ 4,21 bilhões, frente a US$ 4,13 bilhões em liquidações de posições vendidas. Embora a configuração aparente equilíbrio, o excesso de alavancagem comprada em um mercado volátil representa riscos relevantes, constituindo o quarto indício para uma provável queda mais intensa.
Apesar da correção de quase 40% e do recuo em andamento, a maioria das operações alavancadas permanece posicionada para alta.
O agrupamento mais concentrado de liquidações longas está em US$ 64.100, onde o total de alavancagem longa acumulada chega a US$ 3,55 bilhões. Isso significa que cerca de 84% de toda a alavancagem longa pendente seria liquidada nesse único nível de preço ou acima dele.
Uma movimentação até US$ 64.100 (zona dos 64 mil) também coincide com o nível de retração de 0,618 de Fibonacci, tornando esse ponto relevante tanto do ponto de vista técnico quanto dos derivativos.
Para a previsão de preço do Bitcoin na estrutura atual, o nível de decisão imediato está em US$ 68.700, atualmente testado pelo BTC. Caso não se mantenha acima desse patamar, o caminho fica aberto para US$ 66.400, valor que se aproxima da linha inferior do canal de alta.
Se esse canal for rompido, US$ 64.100 se torna o próximo grande alvo. Uma queda até lá liquidaria a maior parte da alavancagem longa, o que poderia gerar um efeito em cadeia levando o BTC para US$ 60.900 e até US$ 56.800, patamar que aprofundaria a queda de 40% destacada anteriormente.
No movimento de alta, o BTC precisa reconquistar US$ 71.500 para aliviar a pressão de baixa imediata. Um cenário mais positivo só se confirma acima de US$ 76.100.
Um fechamento diário abaixo de US$ 66.400 rompe o canal de alta e expõe US$ 3,55 bilhões em liquidações longas em US$ 64.100. Por outro lado, a recuperação do patamar de US$ 71.500 postergaria a tendência de baixa e manteria viva a possibilidade de recuperação.