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Copom reduz a taxa Selic para 14,75% ao ano

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

19 março 2026 08:01 BRT
  • Selic cai para 14,75% ao ano.
  • Conflitos no Oriente Médio elevam incerteza e riscos inflacionários.
  • Expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem acima da meta.
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu ontem (18) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14,75% ao ano. A decisão marca o início de um ciclo de ajuste gradual da política monetária, após período prolongado de manutenção dos juros em patamar contracionista, ou seja, em nível elevado o suficiente para conter a inflação e desacelerar a economia.

O colegiado avalia que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante de política monetária.

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Cenário externo

O ambiente internacional ficou mais incerto. O acirramento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio aumentou a volatilidade, termo que indica oscilações bruscas nos preços de ativos financeiros e commodities, como petróleo e grãos.

O Copom avalia os impactos desses conflitos de forma prospectiva, especialmente sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil.

O cenário exige cautela por parte dos países emergentes, grupo do qual o Brasil faz parte.

Cenário doméstico

No Brasil, os indicadores econômicos seguem mostrando moderação no crescimento da atividade. O mercado de trabalho, no entanto, ainda apresenta sinais de resiliência.

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Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes, que excluem itens mais voláteis para capturar a tendência dos preços, apresentaram algum recuo. Ainda assim, permaneceram acima da meta para a inflação.

Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração da atividade econômica, em cenário marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho.

Projeções de inflação

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, que ouve semanalmente analistas do mercado financeiro, permanecem acima da meta. Os valores são de 4,1% e 3,8%, respectivamente.

A projeção do próprio Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, é de 3,3% no cenário de referência.

Índice de preços20263º tri 2027
IPCA (inflação oficial)3,9%3,3%
IPCA livres (bens e serviços sem controle de preço)3,7%3,3%
IPCA administrados (energia, combustíveis, tarifas)4,3%3,2%

No cenário de referência, a trajetória para os juros é extraída da pesquisa Focus. A taxa de câmbio parte de R$ 5,20 por dólar, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), metodologia que estima a variação do câmbio com base na diferença de inflação entre os países. O preço do petróleo segue a curva futura pelos próximos seis meses e passa a crescer 2% ao ano depois. Adota-se também a hipótese de bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026 e de 2027.

Riscos

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, já estavam acima do usual e se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio.

Entre os riscos de alta, o Copom destaca a possibilidade de desancoragem prolongada das expectativas de inflação, maior resistência na inflação de serviços e impacto inflacionário de políticas econômicas interna e externa, inclusive por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais desvalorizada.

Entre os riscos de baixa, o comitê cita uma desaceleração da atividade doméstica mais acentuada do que o projetado, uma desaceleração global mais pronunciada provocada pelo choque de comércio e a possibilidade de queda nos preços das commodities, com efeito desinflacionário, ou seja, de redução da inflação.

Próximos passos

O Copom reafirma que conduzirá a política monetária com serenidade e cautela. Os próximos passos do ciclo de ajuste da Selic dependerão de novas informações sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços.

O Comitê acompanha como os desenvolvimentos da política fiscal, as decisões sobre gastos e receitas do governo, impactam a política monetária e os ativos financeiros.

Votação

Votaram pela decisão os seguintes membros do Copom: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

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