Riscos relacionados à computação quântica estão impactando a avaliação relativa do Bitcoin em comparação ao ouro, segundo o analista Willy Woo. A tendência de valorização do BTC frente ao metal precioso, que se manteve por 12 anos, foi rompida após a computação quântica entrar no radar do mercado.
Segundo Woo, um computador quântico suficientemente avançado poderia, em tese, descobrir chaves privadas a partir de chaves públicas expostas. O ponto central é o possível reacesso a cerca de 4 milhões de BTC considerados “perdidos”, volume que superaria as compras institucionais dos últimos oito anos.
SponsoredO avanço da computação quântica tem gerado preocupação nos setores de tecnologia e finanças, já que, no futuro, inovações podem comprometer padrões atuais de criptografia. Embora essas capacidades não sejam vistas como iminentes, o risco de longo prazo levanta questionamentos sobre o modelo de segurança do Bitcoin e sobre como o mercado precifica essa incerteza.
Tendência de valorização do BTC frente ao ouro é rompida após 12 anos
Woo afirmou que o desempenho superior do Bitcoin em relação ao ouro nos últimos 12 anos foi interrompido, marcando uma mudança estrutural expressiva. Conforme Woo, o aumento na percepção do mercado sobre riscos quânticos contribuiu para essa alteração.
“ Tendência de 12 anos rompida. O BTC deveria estar valendo MUITO MAIS em relação ao ouro. Deveria. MAS NÃO ESTÁ. A tendência de valorização foi rompida quando o QUÂNTICO entrou no radar”, disse Woo.
A segurança do Bitcoin depende da criptografia de curva elíptica (ECDSA sobre secp256k1). Um computador quântico suficientemente avançado, executando o algoritmo de Shor, poderia, em tese, descobrir chaves privadas a partir de chaves públicas expostas e comprometer fundos vinculados a esses endereços on-chain.
SponsoredComputação quântica pode recolocar 4 milhões de BTC “perdidos” em circulação
Essa tecnologia ainda não é capaz de quebrar a criptografia do Bitcoin. Mesmo assim, um ponto central, segundo Woo, é o possível reacesso a cerca de 4 milhões de BTC “perdidos”. Caso avanços quânticos permitissem a recuperação dessas moedas, elas poderiam voltar à circulação, elevando a oferta.
Para ilustrar o impacto, Woo explicou que empresas que seguiram a estratégia da Strategy em 2020 e ETFs de Bitcoin à vista acumularam aproximadamente 2,8 milhões de BTC. O retorno potencial de 4 milhões de BTC perdidos superaria esse volume, equivalente a cerca de oito anos de compras institucionais no ritmo recente.
“O mercado já começou a precificar o possível retorno dessas moedas perdidas com antecedência. Esse processo se encerra quando o risco Q-Day deixa de existir. Até lá, o BTCUSD precificará esse risco. O Q-Day está entre 5 e 15 anos… é muito tempo de negociação com essa dúvida pairando”, ressaltou.
Woo reconheceu que o Bitcoin provavelmente adotará assinaturas resistentes à computação quântica antes de que um ataque crível torne-se possível. No entanto, essa atualização na criptografia não resolveria automaticamente a situação dessas moedas atualmente inacessíveis.
“Eu diria que há 75% de chance de que essas moedas perdidas não serão congeladas por um hard fork no protocolo”, afirmou o analista. “Infelizmente, os próximos 10 anos são os de maior demanda por BTC. É o fim do ciclo de endividamento global, quando investidores institucionais e governos buscam ativos reais, como o ouro, para se proteger da desalavancagem da dívida mundial. Por isso, o ouro dispara sem o BTC.”
A análise de Woo não indica que ataques quânticos sejam iminentes. Ele trata a computação quântica como uma variável de longo prazo que já influencia a avaliação relativa do Bitcoin, especialmente em comparação ao ouro.
Enquanto isso, Charles Edwards, fundador da Capriole Investments, apresentou uma visão complementar sobre o impacto do risco quântico no comportamento do mercado. Para Edwards, as preocupações em relação à ameaça quântica provavelmente foram decisivas para a queda do preço do Bitcoin.
O risco quântico também influencia decisões em carteiras reais. O estrategista Christopher Wood, do Jefferies, reduziu uma alocação de 10% em Bitcoin em benefício de ouro e ações de mineração, citando preocupações sobre computação quântica. Isso indica que investidores institucionais já veem a computação quântica como risco expressivo, e não distante.