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O próximo bull run cripto não será sobre moedas ou hype viral

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

02 abril 2026 08:00 BRT
  • Clem Chambers diz que o próximo ciclo cripto migrará da especulação com tokens para aplicações blockchain no mundo real.
  • Ele afirma que a era “coins-first” está chegando ao fim, com o valor migrando para utilidade e produtos voltados ao usuário.
  • Crescimento dos ativos tokenizados, stablecoins e protocolos ligados à IA impulsiona essa mudança.

Os ciclos de alta do mercado cripto nos últimos 5 anos foram impulsionados principalmente pela especulação com tokens e, mais recentemente, pela entrada de instituições. Para Clem Chambers, fundador da ADVFN, principal portal europeu sobre ações e mercados, o próximo ciclo será marcado pelo avanço de aplicações práticas, fora do ambiente especulativo.

Durante participação no Markets Intelligence Council do BeInCrypto, Chambers afirmou que o mercado está superando a etapa dominada pela negociação de ativos.

“…Esse período já terminou e está chegando ao fim. O que virá são casos de uso”, afirmou, ressaltando uma mudança estrutural na geração de valor do setor cripto.

O trade está saturado, a utilidade não

As declarações acontecem enquanto o ciclo atual evidencia forte diferença entre comportamento dos preços e a atividade dos participantes. Bitcoin e Ethereum seguem recebendo aportes institucionais, especialmente após a aprovação dos ETFs.

No entanto, parte significativa dos recursos permanece concentrada nos grandes ativos, enquanto tokens intermediários têm dificuldade para atrair liquidez ou interesse do público.

Ao mesmo tempo, outros segmentos vêm ganhando relevância. Ativos do mundo real tokenizados, pagamentos lastreados em stablecoins e infraestrutura blockchain ligada à IA e dados demonstram crescimento consistente.

Esses segmentos já geram volume de transações, taxas e, em alguns casos, receita real — resultado que a maioria dos tokens especulativos não conseguiu entregar em ciclos anteriores.

Esqueça tokens, pense em produtos

Chambers foi direto ao descrever essa transformação.

“…Esqueça Fi e procure por apps, não Fi, apps, aplicações de tokens e blockchains”, recomendou.

Os primeiros ciclos priorizavam primitivos financeiros, como protocolos DeFi, yield farming e negociações de tokens. Agora, a tendência gira em torno de soluções que o usuário finalia utiliza ativamente, muitas vezes sem sequer focar no token nativo de cada aplicação.

A movimentação segue os sinais amplos para 2026. Fundos tokenizados de companhias como a BlackRock e o crescimento do uso de stablecoins em pagamentos mostram como o blockchain está sendo integrado aos sistemas financeiros já existentes.

Simultaneamente, áreas como redes físicas descentralizadas e protocolos associados à IA atraem desenvolvedores e novos aportes de capital de risco.

Apesar disso, a transição não é homogênea. A especulação ainda determina movimentos de curto prazo, e o perfil de quem entra para investir tende a refletir ciclos de empolgação.

Grande parte dos projetos também encara desafios para reter usuários e monetizar serviços.

Ainda assim, a direção passa a ficar mais evidente. Caso no passado as narrativas sobre tokens lideravam cada onda, o próximo estágio pode depender da entrega de valor recorrente pelas aplicações baseadas em blockchain.

A visão de Chambers expressa uma realidade crescente: o mercado começa a valorizar o uso prático acima do entusiasmo.

A consolidação definitiva desse novo ciclo, porém, depende da rapidez com que as aplicações alcançarão públicos além dos usuários cripto originais.

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