Voltar

5 gestoras de ativos que controlam a cripto de Wall Street em 2026

Prefira-nos no Google
sameAuthor avatar

Escrito e editado por
Lucas Espindola

07 abril 2026 08:00 BRT
  • IBIT da BlackRock controla 45% de todos os ativos de ETF de Bitcoin à vista em US$ 55 bilhões.
  • A Fidelity, Grayscale e Bitwise disputam a liderança no segundo escalão, com bilhões cada.
  • Modelo de banco mercantil da Galaxy Digital cresce discretamente e atinge US$ 9 bilhões em ativos sob gestão.

Em 2026, cerca de 25 gestoras de ativos dos EUA oferecem diretamente produtos de cripto (ETFs, trusts ou fundos). No entanto, as cinco maiores gestoras focadas em cripto já administram bem mais de US$ 100 bilhões em produtos de ativos digitais.

Esse domínio reflete o quanto o capital institucional já está inserido no setor de cripto por meio dos ETFs regulamentados.

Cinco empresas concentram quase US$ 100 bilhões em ETFs de Bitcoin

Somente os ETFs de Bitcoin à vista ultrapassaram US$ 86 bilhões em ativos sob gestão combinados até o momento desta reportagem, segundo dados da Coinglass.

Total de ativos líquidos em ETFs de Bitcoin à vista
Total de ativos líquidos em ETFs de Bitcoin à vista. Fonte: Coinglass

A competição entre os emissores se intensificou à medida que guerras de taxas, variedade de produtos e redes de distribuição institucional determinam quem capta mais recursos.

BlackRock lidera com ampla vantagem

O iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock está em US$ 51,9 bilhões em ativos sob gestão, correspondendo a cerca de 45% de todos os ativos em ETFs de Bitcoin à vista, conforme dados da SoSoValue divulgados. No primeiro trimestre de 2026, o IBIT registrou entradas líquidas de US$ 8,4 bilhões, mais que o dobro de qualquer concorrente.

O fundo mantinha aproximadamente 782.180 BTC em 27 de março de 2026, enquanto o iShares Ethereum Trust (ETHA) adicionou vários bilhões ao total. Isso eleva a exposição total a ETFs de cripto da BlackRock para perto de US$ 60 bilhões.

Ativos em Bitcoin da BlackRock
Ativos em Bitcoin da BlackRock. Fonte: BlackRock

A ampla rede de distribuição da companhia, com US$ 12,5 trilhões em ativos totais sob gestão, proporciona vantagens estruturais que nenhum concorrente nativo de cripto consegue replicar.

Fidelity ocupa posição sólida em segundo lugar

Enquanto isso, o Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC) da Fidelity administra US$ 12,8 bilhões em ativos, mantendo cerca de 187.813 BTC no início de março, enquanto o Ethereum Fund (FETH) supera US$ 1,3 bilhão.

A Fidelity atraiu US$ 4,1 bilhões em entradas líquidas no primeiro trimestre de 2026, ficando atrás apenas da BlackRock.

O modelo de autocustódia por meio da Fidelity Digital Assets e a taxa de 0,25% tornaram a empresa uma das principais escolhas entre alocadores institucionais voltados para compliance.

Comparação de taxas dos ETFs de Bitcoin à vista
Comparação de taxas dos ETFs de Bitcoin à vista. Fonte: Fibo

Grayscale preserva seu legado

Já a Grayscale Investments segue como a mais antiga e diversificada gestora voltada para cripto, atuando desde 2013.

O Bitcoin Trust (GBTC) mantinha cerca de 154.710 BTC até o momento desta análise, avaliados em aproximadamente US$ 10 bilhões. O Bitcoin Mini Trust (BTC), com taxa menor, acrescentou outros US$ 3,4 bilhões, conforme informações da Grayscale.

Informações dos fundos Grayscale
Informações dos fundos Grayscale. Fonte: Grayscale

As saídas líquidas do GBTC desaceleraram para US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026, uma queda expressiva em relação aos múltiplos bilhões mensais registrados em 2024.

O total da plataforma da grayscale ultrapassou US$ 35 bilhões em ativos sob gestão no fim de 2025, mantendo o portfólio de produtos mais diversificado, com uma lista de observação de 36 ativos para possíveis futuros lançamentos de ETF.

Bitwise destaca-se em variedade e exposição a altcoins

Em outro cenário, a Bitwise Asset Management ultrapassou US$ 15 bilhões em ativos de clientes em mais de 40 produtos. Esses produtos abrangem ETFs, contas administradas separadamente, fundos privados, estratégias de hedge e staking.

O grande diferencial da empresa está nos ETFs de Solana. No início de janeiro de 2026, a Bitwise detinha aproximadamente 67% de todo o patrimônio de ETFs de Solana, correspondendo a US$ 731 milhões dos US$ 1,09 bilhão totais.

O BSOL Solana Staking ETF alcançou US$ 500 milhões em ativos em apenas 18 dias de negociação. Essa estratégia de rendimento baseada em staking atraiu instituições que buscam alternativas à simples exposição ao Bitcoin.

Banner do BeInCrypto 100 Institutional Awards destacando líderes em ativos digitais
O BeInCrypto 100 Institutional Awards reconhece líderes e pioneiros em integração, inovação, governança e conformidade de ativos digitais, sob avaliação dos Conselhos de Especialistas

Galaxy Digital aposta na visão de longo prazo

A Galaxy Digital atua como um banco de investimentos completo, e não apenas como emissora de ETFs. Sua divisão de gestão de ativos registrou US$ 9 bilhões em ativos, com entradas líquidas de US$ 2 bilhões no terceiro trimestre de 2025.

Ao final de 2025, os ativos totais da plataforma atingiram US$ 12 bilhões, mesmo após reportar prejuízo de US$ 482 milhões no quarto trimestre.

A Galaxy é parceira da State Street Global Advisors em ETFs de ativos digitais com gestão ativa e mantém exposição em trading, empréstimos, staking e venture capital.

O modelo híbrido torna a companhia referência para instituições que demandam mais do que acesso passivo a ETFs.

Gráfico de barras compara o patrimônio dos 5 maiores gestores de ativos cripto em 2026
Gráfico de barras compara o patrimônio dos 5 maiores gestores de ativos cripto em 2026, Fonte: BeInCrypto

A corrida pela gestão de ativos cripto em 2026 já apresenta uma hierarquia clara.

  • A BlackRock lidera pela escala
  • Fidelity pela confiança institucional
  • Grayscale pela história e abrangência
  • Bitwise pela inovação dos produtos, e
  • Galaxy pela infraestrutura completa

Ressalta-se ainda o Morgan Stanley, que ainda não entrou na disputa, mas pode transformar totalmente o cenário.

A aposta de US$ 160 bilhões do Morgan Stanley pode redesenhar todo o ranking

O banco protocolou uma S-1 revisada para seu ETF spot de Bitcoin, o MSBT, com taxa de 0,14%, inferior à de todos os concorrentes, incluindo os 0,25% da BlackRock.

Seria o primeiro ETF spot de Bitcoin emitido diretamente por um grande banco dos EUA, em vez de uma gestora de ativos. Porém, esse ETF é apenas uma parte do projeto.

  • O Morgan Stanley também solicitou uma licença federal para operar um banco fiduciário nacional, por meio da subsidiária Morgan Stanley Digital Trust. A unidade cuidaria de custódia, trading, staking e transferências de ativos digitais sob supervisão federal.
  • O banco ainda prepara o lançamento de negociação de cripto para pessoas físicas via E*Trade no primeiro semestre de 2026 e estuda novos produtos de empréstimos e rendimentos em Bitcoin.

Com US$ 8 trilhões em ativos de gestão patrimonial e mais de 16 mil assessores, mesmo uma alocação modesta de 2% representaria US$ 160 bilhões em possível demanda, cerca de três vezes o tamanho do IBIT.

Se todas essas frentes avançarem juntas, o Morgan Stanley não apenas entraria na disputa cripto. Ele estaria construindo toda a pista.

“Eles não estão mais apenas oferecendo exposição, estão estruturando toda a arquitetura. BNY Mellon + Coinbase como custodiante dupla é uma redundância inteligente”, destacou um usuário em publicação no X.

Com os ETFs de Bitcoin à vista já acumulando mais de US$ 128 bilhões em patrimônio sob gestão somado, a dúvida já não é mais se as instituições vão aderir à cripto. Agora, o foco está nos gestores que irão captar a próxima onda de capital.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.