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Por que a computação quântica ainda não ameaça o Bitcoin?

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

09 fevereiro 2026 08:30 BRT
  • CoinShares diz que ameaça da computação quântica ao Bitcoin ainda está distante.
  • Apenas cerca de 0,1% do suprimento de Bitcoin enfrenta vulnerabilidade plausível à computação quântica.
  • Especialistas alertam que mudanças prematuras no protocolo podem prejudicar a neutralidade do Bitcoin.
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Preocupações de que a computação quântica possa, no futuro, comprometer a criptografia do Bitcoin voltaram à tona. No entanto, um novo relatório da CoinShares aponta que os riscos quânticos permanecem distantes, com apenas uma fração do fornecimento da moeda potencialmente exposta.

O relatório apresenta a computação quântica como um desafio de engenharia de longo prazo. A análise sustenta que o Bitcoin terá tempo suficiente para se adaptar antes que máquinas quânticas alcancem escala relevante para atacar sua segurança criptográfica.

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A avaliação da ameaça quântica para o Bitcoin

No relatório intitulado “Quantum Vulnerability in Bitcoin: A Manageable Risk”, Christopher Bendiksen, líder de pesquisas sobre Bitcoin na CoinShares, explicou que o Bitcoin utiliza a criptografia de curva elíptica para proteger transações.

Em teoria, um computador quântico suficientemente potente poderia usar o algoritmo de Shor para derivar chaves privadas a partir das públicas, o que permitiria gastos não autorizados.

Porém, Bendiksen observou que esse tipo de ataque exigiria máquinas quânticas com milhões de qubits estáveis e corrigidos por erro, algo ainda inalcançável com a tecnologia atual.

“Quebrar o secp256k1 em tempo prático (<1 ano) exige de 10 a 100 mil vezes o número atual de qubits lógicos; tecnologia quântica relevante está, no mínimo, a 10 anos de distância. Ataques de longo prazo poderiam ocorrer ao longo de anos — tornando-se possíveis em até uma década; ataques de curto prazo (ataques no mempool) necessitam de cálculos em menos de 10 minutos — inviáveis por muitas décadas”, aponta o relatório.

O estudo também analisou a real exposição do Bitcoin ao risco quântico. Segundo Bendiksen, apenas cerca de 1,6 milhão de BTC, aproximadamente 8% do total em circulação, estão em endereços legados do tipo Pay-to-Public-Key (P2PK), onde as chaves públicas já estão visíveis. No entanto, a possibilidade real de ataque é bem menor.

Deste montante, o relatório estima que somente em torno de 10.200 BTC poderiam, plausivelmente, ser alvo de ataque de maneira a causar algum impacto. Isso representa menos de 0,1% do fornecimento total do Bitcoin.

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“Os demais ~1,6 milhão estão distribuídos em 32.607 UTXOs individuais de cerca de 50 BTC cada, que levariam milênios para serem desbloqueados mesmo nos cenários mais otimistas de avanço da computação quântica”, afirmou Bendiksen.

As moedas vulneráveis restantes estão distribuídas em dezenas de milhares de endereços. Essa ampla dispersão tornaria a exploração em larga escala lenta e operacionalmente inviável, mesmo para sistemas quânticos avançados, aponta a análise.

Essa exposição limitada ocorre graças aos tipos de endereços mais recentes. Os modelos Pay-to-Public-Key-Hash (P2PKH) e Pay-to-Script-Hash (P2SH) só divulgam as chaves públicas no momento em que as moedas são movimentadas, reduzindo drasticamente a superfície passível de ataque.

Apesar de existirem propostas de criptografia pós-quântica, Bendiksen alertou para os riscos de mudanças precoces ou forçadas. Segundo ele, essas alterações podem introduzir novas vulnerabilidades, enfraquecer a descentralização ou depender de métodos ainda não suficientemente testados em ambientes adversos.

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“No horizonte visível, o impacto no mercado parece restrito”, acrescentou Bendiksen. “O maior desafio é preservar a imutabilidade e neutralidade do Bitcoin, que poderiam ser comprometidas por mudanças prematuras no protocolo.”

Essa avaliação converge com análises de outros nomes do setor, como Jameson Lopp, cofundador da Casa e Charles Hoskinson, fundador da Cardano. Ambos defendem que a computação quântica não representa risco imediato à criptografia do Bitcoin.

Risco quântico deixa de ser ignorado enquanto investidores e desenvolvedores se preparam

Apesar disso, nem todos no mercado compartilham essa perspectiva. Parte dos investidores institucionais têm considerado cada vez mais o risco quântico ao avaliar sua exposição ao Bitcoin, em vez de tratá-lo apenas como preocupação distante.

O BeInCrypto informou que o estrategista Christopher Wood reduziu uma alocação de 10% em Bitcoin do portfólio modelo da Jefferies, redirecionando recursos para ouro e ações de mineração. A decisão refletiu preocupações de que avanços futuros na computação quântica possam afetar a segurança do Bitcoin.

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Ao mesmo tempo, diversos projetos de blockchain já adotam medidas proativas. Coinbase, Ethereum e Optimism divulgaram abertamente esforços para se preparar para um cenário pós-quântico.

Charles Edwards, da Capriole Investments, sugeriu que o preço do Bitcoin poderá cair ainda mais antes da rede atrair a atenção necessária para a questão da segurança quântica. Ele classificou a pressão do mercado como possível impulsionadora para discussões técnicas mais amplas.

“US$ 50 mil não está tão distante agora. Eu falei, no ano passado, que o preço precisaria cair ainda mais para gerar a atenção adequada ao tema da segurança quântica no Bitcoin. Esse é o primeiro progresso promissor que vemos até agora”, afirmou.

Edwards acrescentou que ainda há muito trabalho pela frente e alertou que os esforços para preparar o Bitcoin diante do avanço quântico precisarão ser acelerados em 2026.

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