O Bitcoin enfrenta dois cenários possíveis para o próximo trimestre: alta a US$ 84 mil ou queda a US$ 50 mil. A análise é de Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, que avalia as forças opostas que pressionam o ativo atualmente.
O Bitcoin tem forças opostas no mercado. De um lado, a pressão do cenário global. Do outro, sinais claros de acumulação por grandes investidores.
O conflito no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo. O Estreito de Hormuz, rota estratégica que concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo, está no centro das tensões. Com menos oferta, os preços sobem e a inflação global aumenta.
Inflação mais alta tende a manter os juros elevados por mais tempo. Juros altos reduzem a liquidez, ou seja, há menos dinheiro circulando na economia e menor apetite por ativos de risco, como o Bitcoin.
Mesmo com o ambiente mais pesado, investidores institucionais continuam comprando. Desde 13 de fevereiro, investidores de longo prazo acumularam mais de 192 mil BTC. Esse grupo não reage a movimentos de curto prazo. Quando começam a acumular em volume, há uma razão clara.
O padrão que o mercado está repetindo
O comportamento atual do Bitcoin lembra o ciclo de queda de 2021 e 2022. Se esse padrão se repetir, a faixa dos US$ 60 mil aparece como suporte natural, ou seja, um nível de preço onde historicamente há mais compradores do que vendedores. Em um cenário mais extremo, a região dos US$ 50 mil também entra no radar.
Nos primeiros 20 dias do conflito no Oriente Médio, o Bitcoin apresentou alta de 6,2%. No mesmo período, o ouro registrou queda de 12,9% e o índice S&P 500, referência da bolsa americana, recuou 4,4%. Enquanto o cenário global ficou mais tenso, o Bitcoin seguiu o caminho oposto.
ETFs e o indicador que traduz o momento
Os ETFs de Bitcoin, fundos que permitem investir na criptomoeda sem precisar custodiá-la diretamente, voltaram a atrair capital. Entre 24 de fevereiro (24) e 24 de março (24) de 2026, foram registradas entradas líquidas de US$ 2,58 bilhões, segundo dados da plataforma SoSoValue.
O detalhe que chama atenção: esse capital não entrou em um momento de euforia. Entrou durante um período de desconforto, com o índice de medo e ganância, ferramenta que mede o sentimento do mercado em uma escala de 0 a 100, apontando para a zona de medo.
O MVRV é outro indicador relevante nesse contexto. Ele compara o preço médio atual do Bitcoin com o preço médio de compra dos investidores registrado no blockchain. Funciona como um termômetro do mercado e permite avaliar se o ativo está caro, barato ou equilibrado.
Hoje, o MVRV aponta para um dos cenários mais assimétricos do ciclo atual: risco de queda estimado entre 20% e 35%, potencial de alta entre 100% e 160%, com preço de referência em US$ 67 mil.
Bitcoin no trimestre: dois cenários possíveis
O conflito no Oriente Médio é o principal fator que define os próximos passos do Bitcoin.
No cenário otimista, um alívio nas tensões geopolíticas melhora o ambiente macro, o apetite por risco retorna e o Bitcoin pode buscar a região dos US$ 84 mil ainda neste trimestre.
No cenário desafiador, se o conflito se prolongar, a pressão aumenta e o Bitcoin pode testar níveis próximos de US$ 50 mil. Ainda assim, a demanda estrutural tende a limitar as quedas, com possível fundo mais alto na faixa dos US$ 60 mil e recuperação mais rápida ao longo do ano.
Independentemente do cenário, o mercado já está em uma região historicamente favorável para acumulação, com melhor relação entre risco e retorno no longo prazo.