Economista Charles Mendlowicz, o Economista Sincero, aponta que a correlação entre o Bitcoin e o setor tecnológico nunca foi tão forte; quedas generalizadas abrem oportunidades para o longo prazo
O mercado de ativos digitais amanheceu em “banho de sangue” ontem (5). O Bitcoin (BTC) registrou desvalorização acentuada que ultrapassou 10% em poucas horas.
SponsoredO movimento varreu mais de US$ 200 bilhões do mercado cripto. Segundo o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, o fenômeno reflete nervosismo profundo que atinge as gigantes da tecnologia.
Bitcoin migra de refúgio para ativo tech
Para Mendlowicz, a natureza do Bitcoin mudou aos olhos do investidor institucional. Antes visto apenas como reserva de valor alternativa, hoje opera como ativo tecnológico.
“O Bitcoin está migrando de um refúgio seguro para um ativo tecnológico na questão de como os investidores estão enxergando. No momento em que as ações de tecnologia começam a cair muito, o Bitcoin acaba indo junto. Essa visão é muito forte”, explica.
Mercado pune gastos bilionários com IA
Empresas como Microsoft, Google (Alphabet) e Amazon apresentaram lucros bilionários em seus balanços. Mesmo assim, as ações despencaram.
O motivo? O mercado está punindo o alto custo de capital (Capex, sigla em inglês para despesas de investimento em infraestrutura e tecnologia) destinado à inteligência artificial.
SponsoredMendlowicz destaca que investidores estão colocando lupa nos gastos. A Microsoft viu suas ações sofrerem o pior dia desde o início da pandemia em 2020. Isso apesar de um salto de 60% no lucro.
“O mercado está preocupado porque as empresas estão gastando demais em IA. Se isso aqui não der dinheiro agora, no próximo trimestre o resultado vai despencar. Estamos diante da maior queima de capital da história em um negócio que, para alguns analistas, pode não dar o retorno esperado”, afirma.
Economista vê oportunidade na queda
Apesar do cenário de pânico e do índice de medo em níveis extremos, o economista mantém a calma. Ele enxerga o recuo como ponto de entrada estratégico.
Mendlowicz confirmou que aproveitará a queda para aumentar sua posição pessoal no ativo.
“A queda do Bitcoin não é novidade. Eu já vi quedas dessa proporção em 2017 e 2018. O problema não é a queda, mas o comportamento do investidor. Quedas fortes costumam criar ótimas oportunidades. Eu disse que compraria abaixo de US$ 65 mil e sou um cara de palavra: já vou comprar“, garante.
Alerta contra alavancagem
Para Mendlowicz, o momento exige estômago. Acima de tudo, evitar a alavancagem — prática de investir dinheiro emprestado para maximizar lucros. Essa prática causou liquidações em massa nesta madrugada.
“Não entre alavancado. Tem muita gente perdendo tudo porque o mercado cai, a corretora te elimina e você perde o patrimônio da família. Se você é investidor de longo prazo, não é para sair vendendo tudo nem comprando tudo desesperadamente. Olhar a janela de curto prazo engana muito”, conclui.