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Bitcoin: analista que previu crise de 2008 alerta para “espiral da morte”

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

06 fevereiro 2026 11:00 BRT
  • O Bitcoin cai 40% e analista alerta para queda ainda maior.
  • Empresas com reservas em cripto podem ficar no vermelho.
  • ETFs registram saídas recordes e correlação com ações cresce.
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Michael Burry, investidor que previu a crise de 2008, alertou nesta segunda-feira (2) sobre uma possível queda ainda maior do Bitcoin. Segundo ele, a criptomoeda pode entrar em uma “espiral da morte” — um ciclo vicioso de vendas que se autoalimenta.

O Bitcoin caiu 40% desde seu pico em outubro passado. Na terça-feira (3), chegou a valer menos de US$ 73 mil. Nesta quinta-feira (5), despencou para US$ 61 mil, antes de se recuperar para US$ 64 mil.

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O que é a “espiral da morte” ?

Burry escreveu em seu Substack que o Bitcoin se revelou um ativo puramente especulativo. Não funcionou como proteção contra a desvalorização da moeda, ao contrário do ouro e da prata.

Michael Burry

Se a criptomoeda cair mais 10%, empresas como a Strategy — que possui a maior reserva corporativa de Bitcoin do mundo — ficariam bilhões de dólares no vermelho. Os mercados de capitais se fechariam para essas companhias.

Quedas adicionais levariam mineradoras de Bitcoin à falência, segundo o analista.

Por que o Bitcoin está caindo?

O Bitcoin não reagiu aos fatores que normalmente o impulsionam. A moeda digital não respondeu à fraqueza do dólar nem aos riscos geopolíticos. Enquanto isso, ouro e prata atingiram recordes.

Burry afirmou que não existe razão orgânica para o Bitcoin parar de cair. A adoção por empresas e fundos negociados em bolsa (ETFs — instrumentos financeiros que permitem investir em Bitcoin sem comprar a moeda diretamente) não é suficiente para sustentar o preço indefinidamente.

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Empresas em risco

Cerca de 200 empresas públicas mantêm Bitcoin em seus caixas. Os ativos em criptomoeda devem ser marcados a mercado — ou seja, avaliados pelo preço atual — nos relatórios financeiros.

Se o preço continuar caindo, gestores de risco começarão a aconselhar suas empresas a vender, alertou Burry.

A correlação do Bitcoin com o S&P 500 se aproximou de 0,50. Isso significa que a criptomoeda está cada vez mais ligada ao mercado de ações. Quando um cai, o outro tende a cair também.

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Saídas de investidores

Os ETFs de Bitcoin registraram algumas de suas maiores saídas desde novembro. Três delas ocorreram nos últimos 10 dias de janeiro.

Burry citou a queda da criptomoeda como parcialmente responsável pelo colapso recente do ouro e da prata. Tesoureiros corporativos e especuladores precisaram vender posições lucrativas em futuros tokenizados desses metais para reduzir riscos.

Futuros tokenizados são contratos digitais baseados em criptomoeda, mas que não são respaldados por metais físicos reais.

Empresas resistem, mas margem diminui

Michael Saylor, cofundador da Strategy, disse que a empresa não enfrenta estresse financeiro imediato. Não há chamadas de margem — solicitações para depositar mais garantias quando investimentos caem muito — nem expectativa de venda forçada de Bitcoin.

A Strategy construiu uma reserva de US$ 2,25 bilhões com a venda de ações. Esse valor cobrirá pagamentos de juros por mais de dois anos.

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Mas sem recuperação do Bitcoin ou nova demanda de investidores, a margem de manobra está diminuindo.

Cenários para quedas maiores

Se o Bitcoin cair para US$ 50 mil, mineradoras podem quebrar. Os futuros de metais tokenizados entrariam em colapso sem compradores, segundo Burry.

Ele estima que até US$ 1 bilhão em metais preciosos foram liquidados no final do mês por causa da queda das criptomoedas.

História de Burry

A história de Michael Burry inspirou o filme “A Grande Aposta” (The Big Short). Ele ficou famoso por apostar contra o mercado imobiliário americano antes da crise de 2008.

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