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Changpeng Zhao descarta risco de centralização da Binance sobre a USD1

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Escrito e editado por
Lucas Espindola

10 fevereiro 2026 16:00 BRT
  • Binance detém 87% do fornecimento circulante de US$ 1, a maior concentração em exchange já registrada.
  • CZ afirma que concentração reflete o tamanho da Binance, não controle, e diz que ativos pertencem aos usuários.
  • Vínculos da World Liberty Financial associada a Trump intensificam críticas sobre governança das stablecoins e influência política.
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A Binance está em destaque nas redes sociais por diversos motivos. Entre eles, um relatório da Forbes revelou que a exchange e seus usuários controlam a ampla maioria do USD1, uma stablecoin emitida pela World Liberty Financial (WLFI).

Com o empreendimento da WLFI vinculado ao presidente dos EUA, Donald Trump, e sua família, a divulgação provocou debate sobre risco de concentração, influência da exchange e a crescente interação entre os mercados de cripto e a política.

Domínio do USD1 da Binance reacende debate sobre centralização de stablecoins

Uma investigação da Forbes de 9 de fevereiro apontou que a Binance detém aproximadamente 87% do total circulante do USD1 — cerca de US$ 4,7 bilhões dos cerca de US$ 5,4 bilhões em circulação.

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Oferta circulante do USD1
Oferta circulante do USD1. Fonte: CoinGecko

De acordo com o relatório, este é o maior nível de concentração em uma única exchange registrado entre as principais stablecoins. Dados da Arkham Intelligence, especialista em análise blockchain, confirmam esses números.

Concentração do USD1 na Binance
Concentração do USD1 na Binance. Fonte: Arkham Intelligence

As descobertas alimentam discussões sobre se tal concentração pode gerar riscos sistêmicos ou enfraquecer o discurso de descentralização comumente atribuído às stablecoins.

CZ rebate narrativa de centralização

Changpeng Zhao (CZ), fundador e ex-CEO da Binance, reagiu publicamente ao debate e minimizou as preocupações, classificando-as como exageradas. Em postagens na X, CZ afirmou que a Binance historicamente concentra grandes volumes de diversas stablecoins devido a seu porte como maior exchange.

“A Binance (usuários) detém a maior % da maioria das stablecoins (USDT, USDC, USD1, U … qualquer uma) em relação a todas as outras CEXs. Não é novidade”, escreveu CZ.

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O executivo da Binance acrescentou que, ao analisar as reservas de exchanges centralizadas, a Binance costuma responder por cerca de 60–70% em vários ativos.

Defensores reforçaram esse argumento, alegando que os ativos pertencem, em grande parte, aos clientes e não à exchange, sendo comum observar grande concentração em um local dominante de negociação nos mercados de cripto.

Vínculos políticos intensificam o debate

Os laços entre USD1 e World Liberty Financial ampliaram a controvérsia. A WLFI, fundada em 2024, tem Trump listado como cofundador honorário ao lado de Donald Trump Jr., Eric Trump e Barron Trump.

Segundo informações, uma entidade ligada a Trump possui participação relevante na empresa, e registros financeiros indicam que Trump lucrou dezenas de milhões de dólares com o empreendimento.

O relatório da Forbes ressaltou ainda que promoções envolvendo USD1 podem ter impulsionado a concentração. No final de janeiro, a Binance realizou campanhas e incentivos relacionados aos tokens da WLFI, incluindo distribuições para recompensar quem mantinha USD1. Essas ações podem aumentar rapidamente a liquidez em uma única plataforma, sobretudo com novos pares de negociação e esforços de marketing.

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Esses movimentos levaram analistas a avaliar se incentivos promovidos por exchanges podem influenciar a distribuição das stablecoins mais do que a demanda do mercado.

Analistas alertam para riscos de concentração

A percepção é que a forte concentração em uma exchange traz riscos teóricos, mesmo que as ameaças imediatas à estabilidade sejam consideradas reduzidas.

Esses riscos incluem exposição à contraparte em situações extremas ou a possibilidade de influência sobre a liquidez e o funcionamento do mercado.

A pesquisadora independente de cripto, Molly White, classificou essa concentração como incomum, embora não surpreendente diante da atuação da Binance em promover o USD1.

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White destacou que uma concentração tão grande pode criar dinâmicas de alavancagem e gera questionamentos sobre a transparência da posse em grandes volumes sob custódia de exchanges.

Outros apresentaram críticas mais severas. Corey Frayer, ex-assessor da SEC, avaliou que a estrutura e a alocação do USD1 geram dúvidas mais amplas sobre o objetivo e a governança da stablecoin, além das identidades dos principais investidores por trás das grandes posições em exchanges.

“O USD1 nunca foi planejado para ser uma stablecoin real”, informou a Forbes, citando Frayer.

Binance e World Liberty Financial negam que a concentração implique controle ou influência excessiva.

A Binance declarou que sua participação se limita aos serviços padrão de listagem, infraestrutura e acesso ao mercado. Ao mesmo tempo, representantes da WLFI classificaram as listagens em exchanges como um canal usual de distribuição.

Apesar disso, o episódio reacendeu um debate mais amplo no setor: se as stablecoins podem realmente atuar como infraestrutura financeira neutra quando a liquidez e a atividade de usuários estão fortemente concentradas em plataformas centralizadas.

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