BC mantém Selic em 13,75% a.a. e Fed eleva juros pela 3ª vez

Atualizado por Júlia V. Kurtz
EM RESUMO
  • Em sua 249ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a.
  • Política Monetária do FED influencia inverno cripto dizem especialistas.
  • Mercado cripto segue em baixa e bolsas asiáticas abrem em baixa nesta quinta-feira.
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Em meio a pior inflação das últimas quatro décadas, o Federal Reserve aumentou a taxa de juros da maior economia do planeta em 0,75 ponto percentual e pela terceira vez consecutiva, o que demostra que a inflação ainda precisa ser contida.

As taxas nos Estados Unidos chegaram no maior nível desde janeiro de 2008, entre 3% e 3,25%.

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A Ata do FOMC diz que a “A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de alimentos e energia e pressões mais amplas sobre os preços”. A guerra da Rússia contra a Ucrânia também foi citada como a causadora de “enormes dificuldades humanas e econômicas”.

Já o Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro decidiu pela manutenção em 13,75% a.a. Os dois resultados eram aguardados pelo mercado.

Vale lembrar que o Brasil foi um dos primeiros países a começar elevar a taxa de juros para conter a crise pós pandemia. Os Estados Unidos demoraram um pouco mais, o que garante espaço para mais aumento, já sinalizado pelo FED, que prevê mais uma alta de 1,25 p.p antes do ano terminar.

O CEO da Transfero, Thiago César, que vive no crypto valley suíço, conhece bem a realidade dos mercados e participou do evento como palestrante. O executivo disse que o mercado já esperava essa elevação. A dúvida era o quanto subiria.

“Ao ter elevado apenas 0.75 p.p , o FED sinaliza para o mercado que as coisas podem estar sob controle. Também é importante analisar a fala do chairman, o que está indicando como subir 0.75 p.p agora, mas é suficiente para conter esse movimento inflacionário ou não né”.

Jerome Powell prometeu que o Fed esmagaria a inflação e disse que as autoridades estavam “fortemente decididas” a reduzi-la para a meta de 2%, acrescentando que “vamos mantê-la até que o trabalho seja feito”. O CEO também não descartou uma recessão.

César acredita que a decisão do BC americano foi positiva para o mercado já que não houve quebradeira logo após o anúncio, ressalta que era o esperado e explica:

“É importante entender esse contexto macro que todos os países estão em uma subida de juros. Talvez o Brasil esteja agora na descendente. Mas Estados Unidos ainda tem um período para continuar subindo os juros. Europa tem mais ainda do que começou mais tarde, só que a Europa tem um contexto macro, geopolítico, porque se a Europa sobe demais o juro, ela piora o quadro de endividamento dos países como Portugal, Itália, Grécia. Então, lá existe um risco político”.

Inverno cripto deve continuar em 2023

O executivo da Transfero acredita que o Inverno Cripto deve perdurar durante todo 2023 e não vê melhora no cenário macro para uma alta em cripto, mas frisa:

“A gente nunca sabe se vai haver alguma inovação que pode trazer um elemento surpresa para esse mercado. Sabemos que é um mercado de ciclos de 6 meses, então vai que uma nova febre de NFTs, uma nova febre de algo que a gente ainda não conheça, mude os fundamentos.”

Sobre a manutenção dos juros no Brasil, Thiago acredita em uma queda na Selic no próximo ano.

O diretor de Alocação e Distribuição da InvestSmart XP, André Meirelles, afirma que o mercado passou a precificar a alta dos juros americanos após a surpresa negativa do CPI de agosto, o índice de inflação dos Estados Unidos. Divulgado na semana passada, o índice aumentou 0,1%, valor superior às expectativas de –0,1%.

Para Meirelles, as próximas decisões devem permanecer atreladas a dados de inflação e atividade.

“Além de problemas ligados à oferta, a composição do CPI está, em grande parte, conectada a preços sensíveis aos juros, o que tende a pressionar o FED a adotar uma política monetária mais restritiva”, afirma.

O Brasil também sentiu o impacto da movimentação. Segundo o diretor da InvestSmart, a curva de juros brasileira apresentou queda em todos os vértices.

A ata do Copom frisou a volatilidade no mercado internacional, e informou que em relação à atividade econômica brasileira, a divulgação do PIB apontou ritmo de crescimento acima do esperado no segundo trimestre, e o conjunto dos indicadores divulgado desde a última reunião do Copom seguiu sinalizando crescimento.

“As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,0%, 5,0% e 3,5%, respectivamente.”

Para Tasso Lago, gestor de fundos privados em criptomoedas e fundador da Financial Move, uma alta maior de 0.75% nos EUA “assustaria os mercados, embora exista uma necessidade do FED aumentar os juros de forma mais agressiva, uma vez que a inflação ainda não demonstra ser controlada pelo aumento de juros já feitos”.

Altas dos juros impacta mercados

Com isso, os mercados tendem a reagir de forma levemente positiva, no momento do anúncio tivemos uma leve volatilidade que é inerente ao risco daquele momento, porém com aumento de 0.75 p.p que era o esperado, a gente vai ver uma certa recuperação dos mercados, por que? Porque quando a inflação veio acima do esperado na semana passada, o mercado já precificou esse aumento de 0.75 p.p, ou seja, se viesse acima disso, o mercado iria cair mais e se viesse abaixo, iria subir de forma mais forte, explica o especialista

Lago acredita que apenas quando a inflação voltar a demonstrar índices de desaceleração, os preços podem começar a subir porque quanto mais aumento de juros, menos as pessoas estão dispostas a investir em ativos de risco.”

Portanto, para o investidor, embora a gente tenha uma recuperação dos mercados, isso ainda não é um sinal de reversão para a forte alta, é apenas um respiro para o mercado, concluí Tasso.

Para o especialista em criptoativos na WIT Holding – Wealth, Investments and Trust, Yuri Landim, o ajuste monetário do FED “pode definitivamente influenciar no investimento em criptoativos, pois eles ainda são classificados como ativos de risco, principalmente por investidores institucionais, colocando na mesma cesta que os ativos que compõe o S&P. Por isso, enxergamos uma correlação entre ambos.”

A avaliação do economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti sobre a manutenção da Selic é otimista:

“O cenário é positivo para a frente com a queda recente dos índices de inflação. Entretanto, a demanda interna e o aquecimento do mercado de trabalho podem atenuar a desinflação. Por isso, Copom deixou as portas abertas, em seu comunicado, para uma nova elevação futuramente, a depender também das elevadas incertezas no Brasil e no Exterior”, diz Bertotti.

A manutenção da Selic encerrou um ciclo de 12 altas seguidas. Foi o maior ciclo de elevação desde 1999. Neste período, os juros básicos foram elevados em 11,75 pontos percentuais. Apesar da opinião quase unânime de que o mercado já havia precificado as decisões dos Bancos Centrais, no momento do fechamento desta matéria o Bitcoin era negociado a US$ 18.500,00 e o Ethereum cerca de US$ 1.250,00.

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