A maioria dos bancos brasileiros acredita que o Banco Central vai reduzir a taxa Selic — os juros básicos da economia, que influenciam o custo de todo o crédito no país — em 0,50 ponto percentual na reunião de março do Copom (Comitê de Política Monetária). A expectativa é que esse ritmo de cortes se mantenha nas reuniões seguintes.
Mais de 60% dos participantes apostam que os juros vão fechar o ano abaixo de 12,25% ao ano, nível inferior ao que aponta o Boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central com expectativas do mercado financeiro.
Os dados são da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, que ouviu 21 bancos entre sexta-feira (3) e domingo (9) de fevereiro.
Decisão de janeiro foi aprovada
Para 76,2% dos participantes, o Copom fez a escolha certa ao manter os juros inalterados em janeiro e sinalizar o início do ciclo de flexibilização — ou seja, a sequência de cortes — para março.
Crédito cresce, mas em ritmo menor
A expectativa de crescimento da carteira total de crédito em 2026 subiu de 8,2% para 8,4% em relação à pesquisa anterior, de dezembro. Mesmo assim, o número representa uma desaceleração em relação a 2025, quando a expansão ficou em dois dígitos: 10,2%.
No crédito direcionado — aquele com regras definidas pelo governo, como financiamento rural e habitacional — a projeção subiu de 9,4% para 9,6%. O destaque foi o crédito para empresas, que avançou de 9,7% para 11,1%, impulsionado por programas do governo voltados a micro, pequenas e médias empresas. Já o crédito direcionado às famílias recuou levemente, de 9,1% para 9,0%, reflexo do baixo dinamismo no crédito rural.
No crédito livre — aquele sem destinação obrigatória, como cartão de crédito e empréstimo pessoal — a projeção ficou estável em 7,6%. A carteira de pessoas físicas subiu de 8,6% para 9,1%, puxada pela resiliência do mercado de trabalho. A de pessoas jurídicas (empresas) caiu de 6,2% para 5,6%.
Inadimplência perto do pico
A projeção para a inadimplência — proporção de dívidas em atraso — da carteira livre em 2026 ficou estável em 5,2%, após fechar 2025 em 5,5%. A avaliação dos bancos é de que o indicador está próximo do seu pico e deve começar a cair com a redução da Selic. Para 2027, a projeção é de 4,9%.
PIB mais incerto
A pesquisa também mostrou maior divergência nas projeções para o crescimento da economia. A fatia dos bancos que projeta expansão do PIB (Produto Interno Bruto) na faixa de 1,8% em 2026 caiu de 55% para 38,1%. Cresceu tanto a proporção dos que esperam crescimento menor (33,3%) quanto dos que esperam crescimento maior (28,6%) — este último grupo quase dobrou em relação à pesquisa anterior, quando representava 15%.
Ajuste fiscal no radar
A maioria dos participantes (71,4%) acredita que o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal — o limite de déficit público estabelecido pelo arcabouço fiscal — neste ano. Entre esses, 47,6% esperam que o foco recaia sobre o lado das despesas, com contingenciamento ou exclusão de gastos da meta.
Projeções para 2027
Pela primeira vez, a pesquisa captou projeções para 2027. A expectativa é de crescimento de 7,7% na carteira total de crédito, com alta de 7,4% no crédito livre e de 8,3% no crédito direcionado.