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O que é peer-to-peer (P2P)?

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Atualizado por Airí Chaves

O conceito de peer-to-peer (P2P) tem ganhado importância, tanto no âmbito tecnológico como financeiro, especialmente no contexto das criptomoedas. No entanto, o que exatamente este termo significa e de que forma opera?

Neste artigo, vamos explorar todos os aspetos do peer-to-peer (P2P), desde a sua definição até à sua aplicação prática no universo das criptomoedas.

O que é peer-to-peer (P2P)?

Peer-to-peer, abreviado como P2P, é uma expressão em inglês que pode ser traduzida como “par a par” ou “indivíduo para indivíduo“. No domínio da informática, P2P refere-se a uma estrutura de rede de computadores em que cada participante (ou “nó”) desempenha simultaneamente o papel de cliente e de servidor. Isto quer dizer que não existe uma entidade central que supervise as transações ou os recursos da rede.

No contexto financeiro, especialmente no âmbito das criptomoedas, o P2P corresponde a um tipo de transação efetuada diretamente entre usuários, sem a intervenção de intermediários. Isso possibilita a agilização das transações e concede aos usuários um maior controlo sobre as mesmas.

Como funciona uma rede peer-to-peer?

Uma rede P2P é uma estrutura descentralizada que autoriza os participantes a atuarem tanto como fornecedores quanto como consumidores de recursos. A diferença face a uma rede centralizada reside na inexistência de um servidor central que coordene as transações; em vez disso, cada transação na rede P2P é independente.

Neste modelo, cada nó (computador) na rede peer-to-peer tem a capacidade de partilhar os seus recursos, como ficheiros, dados ou serviços, com outros nós. Isso viabiliza a troca direta de informações e transações entre os participantes, sem a necessidade de um intermediário centralizado.

O P2P e o mundo das criptomoedas

O paradigma P2P alcançou proeminência com o crescimento do mercado de criptomoedas, oferecendo um modelo de transação descentralizada e desprovido de intermediários. As redes blockchain, que formam a base das criptomoedas, permitem a realização segura e transparente de transações P2P.

Por meio de plataformas P2P, os utilizadores conseguem comprar, vender e trocar ativos digitais diretamente uns com os outros. Importa, todavia, sublinhar que o P2P vai além do universo das criptomoedas, sendo aplicado em variados contextos, como partilha de ficheiros, serviços de streaming e empréstimos entre pares.

Como fazer transações numa rede peer-to-peer?

Negociar através de uma rede P2P compreende algumas etapas básicas:

  • Selecione uma plataforma P2P: Pesquise e decida por uma plataforma P2P confiável e segura que permita negociações diretas entre utilizadores;
  • Crie uma conta: Faça o registo na plataforma escolhida, fornecendo os dados necessários, como nome de utilizador, endereço de e-mail e palavra-passe. Dependendo da plataforma e das regulamentações em vigor, poderá ser necessário verificar a identidade;
  • Decida o tipo de transação: Escolha entre comprar ou vender ativos. Algumas plataformas P2P permitem também a negociação de empréstimos e outros serviços descentralizados;
  • Escolha a criptomoeda e o método de pagamento: Selecione o ativo a negociar e o método de pagamento que melhor se adapte às necessidades;
  • Explore as ofertas: Veja as ofertas disponíveis na rede P2P e identifique aquelas que melhor correspondem aos requisitos. Verifique a reputação e avaliação dos utilizadores com quem se pretende negociar a fim de assegurar uma transação segura;
  • Inicie a negociação: Ao encontrar com uma oferta adequada, inicie a negociação com o outro utilizador. Discuta os pormenores da transação, incluindo a quantidade de ativos envolvida.

Diferença entre P2P e plataforma de negociação

exchange de criptomoedas, peer-to-peer

A principal diferença entre P2P e uma plataforma de negociação está na forma como as transações se concretizam e na estrutura da plataforma. No cenário do P2P, as transações ocorrem de forma direta entre usuários, dispensando a intermediação de um terceiro.

Por outro lado, as plataformas de negociação são sistemas centralizados que desempenham um papel intermediário na compra e venda de criptoativos. Nestas corretoras (exchanges), os usuários depositam fundos e realizam transações dentro da plataforma, utilizando a interface fornecida pela empresa gestora.

Variantes do P2P

Existem duas variantes principais de redes P2P: redes estruturadas e redes não estruturadas.

As redes estruturadas dispõem os nós de forma lógica e organizada, seguindo um esquema específico. As principais redes deste tipo empregam algoritmos para mapear e distribuir os dados pelos nós da rede, possibilitando a localização eficaz de recursos.

Por sua vez, as redes não estruturadas carecem de uma estrutura predefinida ou organização lógica dos nós. Nestes casos, cada nó liga-se a outros nós de forma aleatória ou com base em critérios específicos.

Vantagens e desvantagens do P2P

Como em qualquer tecnologia, o P2P apresenta vantagens e desvantagens. Vamos examiná-las:

Benefícios do P2P

  • Descentralização: As redes P2P não dependem de um servidor central, o que as torna menos vulneráveis a falhas e censura. A ausência de uma autoridade central confere maior autonomia e liberdade aos participantes;
  • Escalabilidade: Ao distribuir a carga entre os nós participantes, as redes P2P podem ser altamente escaláveis. A capacidade de processamento e armazenamento de dados aumenta à medida que mais nós se juntam à rede;
  • Eficiência na partilha: Nas redes P2P orientadas para partilha de ficheiros, como torrents, os participantes podem partilhar conteúdo diretamente uns com os outros, otimizando a largura de banda e os recursos disponíveis nas respetivas conexões individuais;
  • Resistência à censura: Devido à natureza distribuída e descentralizada, terceiros enfrentam maiores dificuldades em controlar ou censurar o fluxo de informações, conferindo a estas redes maior resistência a tentativas de bloqueio ou restrição.

Desvantagens do P2P

  • Segurança: Em algumas redes P2P, é mais complexo garantir a segurança dos participantes e dos dados partilhados. A ausência de uma autoridade central pode abrir margem para atividades maliciosas, como disseminação de malware ou partilha ilegal de conteúdo protegido por direitos de autor;
  • Eficiência: Nem todas as redes P2P são igualmente eficazes em termos de latência, velocidade de transferência e consumo de recursos. Nas redes não estruturadas, a busca por recursos pode ser mais demorada e ineficiente;
  • Gestão de recursos: Em redes P2P, podem surgir desafios em controlar e otimizar a utilização dos recursos. Sem uma autoridade central, é complexo assegurar uma distribuição equitativa e justa dos recursos entre os participantes;
  • Qualidade: A qualidade das conexões e dos dados pode variar consoante os nós envolvidos. Nem todos os participantes apresentam o mesmo desempenho ou fiabilidade, o que pode afetar a experiência global do utilizador.

Segurança

Ao optar por transações P2P, é crucial adotar precauções de segurança, como verificar a reputação do usuário, empregar meios de pagamento seguros e estar ciente dos riscos associados às transações P2P.

Além disso, é recomendável iniciar com quantias reduzidas para testar a confiabilidade do vendedor, aumentando gradualmente o valor das transações. Desconfie de ofertas que pareçam muito vantajosas para ser verdade e evite partilhar informações pessoais desnecessárias.

Vale a pena fazer transações peer-to-peer?

O sistema peer-to-peer (P2P) conferiu uma nova perspetiva às transações financeiras, especialmente no universo das criptomoedas. Ao permitir transações diretas entre usuários, o P2P oferece uma alternativa descentralizada e transparente ao modelo convencional de intermediação financeira.

Contudo, tal como acontece com qualquer tecnologia, o P2P possui vantagens e desvantagens. É importante compreender o seu funcionamento e os riscos associados antes de efetuar transações P2P. Com a devida cautela e precaução, o P2P pode revelar-se uma ferramenta poderosa para a negociação de criptomoedas e outras transações digitais.

Perguntas frequentes

Quais são as principais características das redes P2P?

O que é P2P em criptomoedas?

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Airí Chaves
Com formação em marketing pela Universidade Estácio de Sá e um mestrado em liderança estratégica pela Unini, escreve para diversos meios do mercado de criptomoedas desde 2017. Como parte da equipe do BeInCrypto, contribuiu com quase 500 artigos, oferecendo análises profundas sobre criptomoedas, exchanges e ferramentas do setor. Sua missão é educar e informar, simplificando temas complexos para que sejam acessíveis a todos. Com um histórico de escrita para renomadas exchanges brasileiras,...
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