O preço do Ethereum apresentou um modesto retorno, subindo cerca de 7% desde 8 de março após sinalizar um movimento técnico de alta no gráfico de 8 horas. A valorização ocorre enquanto o mercado cripto mais amplo tenta se estabilizar. Contudo, a tendência de longo prazo do Ethereum permanece enfraquecida. O ativo acumula queda de aproximadamente 31% em 2026, evidenciando que o viés de desvalorização ainda predomina, mesmo após o repique recente.
Curiosamente, o movimento acompanha um padrão técnico que, em ocasiões anteriores, desencadeou forte alta. Entretanto, vários indicadores on-chain agora sinalizam que a recuperação pode encontrar obstáculos mais resistentes.
Divergência altista histórica provocou alta de 15%, no início de março
O retorno mais recente segue uma divergência de alta no Índice de Força Relativa (RSI) no gráfico de 8 horas. O RSI é um indicador de impulso que avalia a velocidade e intensidade das variações de preço. Quando os preços registram mínimas menores enquanto o RSI mostra mínimas ascendentes, pode indicar arrefecimento da força vendedora.
Entre 15 de fevereiro e 8 de março, a cotação do Ethereum registrou uma mínima inferior, enquanto o RSI apresentou uma baixa levemente mais elevada, formando a chamada divergência de alta clássica.
Padrão semelhante já havia surgido antes, entre 15 de fevereiro e 1º de março. Após aquele sinal, o Ethereum avançou mais de 15%, atingindo máxima local próxima de US$ 2.199 (região de US$ 2.200), antes de perder força.
A divergência registrada já proporcionou um avanço acima de 7%, aumentando a expectativa de que o Ethereum possa tentar novamente atingir a região dos US$ 2.200, que funcionou como resistência no último rali.
No entanto, os dados de apoio para o movimento atual parecem mais frágeis em comparação com a alta anterior.
Fluxos em exchanges e posição de whales indicam que esta recuperação não conta com o suporte anterior
Uma diferença relevante está nos fluxos das exchanges e na acumulação por grandes investidores.
No rali anterior, entre 1º e 4 de março, após a divergência, o Ethereum registrou saídas contínuas das exchanges. O indicador Exchange Net Position Change permaneceu negativo, apontando que moedas estavam sendo retiradas, sinal de pressão compradora persistente.
Ao mesmo tempo, as carteiras de grandes investidores registravam aumento de posição. Entre 28 de fevereiro e 3 de março, o saldo somado dessas carteiras saltou de 113,43 milhões de ETH para 113,51 milhões de ETH, acréscimo de cerca de 80 mil ETH, reforçando o ímpeto de alta.
Na atual recuperação, o perfil é o oposto.
No dia 9 de março, o Exchange Net Position Change virou positivo, com entradas atingindo 146.709 ETH. O aumento de entradas costuma indicar que investidores estão transferindo ativos para as exchanges, elevando as chances de pressão vendedora. O surgimento desse fluxo logo após a divergência compromete as chances de continuidade do rali.
O comportamento dos grandes investidores também mudou. O saldo desses participantes caiu de 113,70 milhões de ETH em 7 de março para cerca de 113,61 milhões de ETH em 10 de março, uma redução próxima de 90 mil ETH.
Essa combinação indica que o repique recente carece do mesmo suporte por parte das grandes carteiras que impulsionou a alta anterior de 15% no preço do ETH. E não é o único fator de risco.
Dados de custo base indicam forte concentração de oferta entre US$ 2.030 e US$ 2.180
Dados on-chain de custo de aquisição reforçam a possibilidade de resistências à frente.
O URPD, métrica de Distribuição de Preço Realizado de UTXO, mostra em que níveis grandes volumes de oferta foram movimentados pela última vez na blockchain. Essas regiões costumam servir como suporte ou resistência, pois muitos investidores tendem a vender quando o preço retorna ao ponto de compra.
Atenção: apesar de o URPD ter sido criado para redes baseadas em UTXO, como o Bitcoin, plataformas de análise como a Glassnode adaptaram a métrica para blockchains baseadas em contas, a exemplo do Ethereum.
Vários agrupamentos expressivos de oferta surgem diretamente acima do preço atual do Ethereum.
Aproximadamente 1,42% do fornecimento do Ethereum está concentrado em torno de US$ 2.029 (próximo ao preço atual). Outro agrupamento, de 1,06%, aparece perto de US$ 2.079, enquanto 0,88% está próximo de US$ 2.128 e 0,91% ao redor de US$ 2.178.
Juntos, esses patamares formam um corredor denso de resistência, onde mais de 4% da oferta está situada entre aproximadamente US$ 2.030 e US$ 2.180.
Se investidores nessas regiões começarem a vender, o movimento de recuperação pode enfrentar resistência relevante. Além disso, a menor força compradora, observada anteriormente, talvez não seja suficiente para conter uma possível pressão vendedora.
Preço do ethereum precisa romper US$ 2.200 para manter perspectivas de alta
Do ponto de vista técnico, o Ethereum precisa, primeiro, superar a marca de US$ 2.130, valor que se aproxima dos agrupamentos inferiores de oferta URPD.
A próxima barreira relevante está próxima do patamar psicológico de US$ 2.200, que limitou a alta de março. Um fechamento expressivo de 8 horas acima de US$ 2.200 apontaria que o Ethereum absorveu os principais agrupamentos de oferta próximos, podendo abrir caminho para US$ 2.270, onde outro nível significativo de concentração está localizado.
Isso torna os US$ 2.270 uma faixa crucial de resistência, provavelmente a área que precisa ser cruzada para reavivar expectativas de uma trajetória positiva mais duradoura.
No entanto, os riscos de queda permanecem.
Se o Ethereum cair abaixo de US$ 2 mil, o cenário de reversão pode perder força. Uma nova baixa em direção a US$ 1.910 reforçaria a tendência de baixa mais ampla.
No momento desta reportagem, a última recuperação do Ethereum se mostra tecnicamente válida, porém o suporte on-chain mais fraco indica que o ativo pode enfrentar mais resistência do que na tentativa anterior.