O preço da NVIDIA tenta recuperar o impulso após uma expressiva queda no início de março, que interrompeu temporariamente a tendência de alta das ações da companhia. O papel da fabricante de chips recuou do patamar próximo a US$ 197 alcançado após a divulgação dos resultados até uma mínima intradiária em torno de US$ 174, em 2 de março, à medida que a maior volatilidade nas bolsas e o aumento das tensões geopolíticas levaram a uma onda de realização em empresas de tecnologia.
Depois desse movimento, investidores voltaram às compras. A NVIDIA reagiu, chegando a uma máxima intradiária próxima a US$ 184 em 4 de março e encerrou o pregão a US$ 183, com negociações no pré-mercado oscilando entre US$ 182 e US$ 183 em 5 de março. A recuperação coloca as ações da NVIDIA novamente próximas de importantes indicadores técnicos, que podem reabrir caminho para o nível dos US$ 225. No entanto, a participação dos grandes investidores institucionais ainda precisa aumentar para que a valorização ganhe mais força.
NVIDIA se mantém acima de nível institucional importante
A alta a partir de US$ 174 permitiu que a NVIDIA recuperasse um indicador relevante para os institucionais: o preço médio ponderado por volume (VWAP) mensal.
O VWAP reflete o valor médio pago pelos investidores em determinado período, ajustado pelo volume negociado. Como grandes fundos costumam operar ao redor deste ponto, a retomada do VWAP pode sinalizar que o posicionamento desses agentes está se estabilizando após o movimento de realização.
O preço da NVIDIA voltou a superar o VWAP mensal, sugerindo que compradores retomaram o controle do curto prazo da tendência. Historicamente, recuperações semelhantes acima desse parâmetro resultaram em altas adicionais entre 7% e 8% em poucas semanas.
Após retomar o VWAP, as ações da NVDA subiram aproximadamente 2% até agora. Isso sugere que ainda há espaço para valorização adicional acima desse patamar.
O momento da recuperação também chama atenção. O movimento ocorre poucos dias antes da GPU Technology Conference (GTC), evento anual da NVIDIA marcado para 16 a 19 de março. A conferência é considerada uma das mais relevantes do setor de inteligência artificial, período em que a companhia costuma divulgar novidades sobre seu ecossistema de IA e atualizações no roteiro de hardware.
Investidores vão acompanhar principalmente notícias sobre a arquitetura Blackwell, tecnologia de última geração desenvolvida pela NVIDIA para IA e processamento intensivo em data centers. Caso a alta prossiga, o próximo patamar técnico relevante está logo acima.
Média móvel de 50 dias pode impulsionar próxima fase de alta da Nvidia
A média móvel de 50 dias situa-se atualmente em torno de US$ 186, deixando a NVIDIA abaixo desse importante sinal de tendência de curto prazo por menos de 2%.
Um fechamento consistente acima desse nível confirmaria que a atual recuperação retomou força. O mesmo patamar já impulsionou movimento parecido em meados de fevereiro, quando a NVIDIA rompeu a média e avançou rapidamente até a máxima pós-resultados, atingindo uma alta de 7%.
Apesar do rali ter perdido força após o resultado do trimestre, o cenário atual mostra uma estrutura semelhante se formando novamente. Um rompimento acima da média móvel pode atrair investidores focados em tendência e impulsionar a cotação rumo à próxima resistência, em torno de US$ 192, região que coincide com a linha do pescoço de um padrão de “ombro-cabeça-ombro invertido”.
Mesmo com a correção a US$ 174 no dia 2 de março, o preço da NVIDIA manteve a estrutura de mercado de alta. Com a retomada da valorização, a região da linha do pescoço em US$ 192 ganha novamente relevância. Por isso, superar a média móvel é crucial para ajudar a ação a ultrapassar esse obstáculo técnico.
Impulso institucional ainda precisa de confirmação
Apesar de o preço da NVIDIA já ter recuperado o VWAP, a força dos institucionais ainda não confirmou completamente esse movimento.
O Chaikin Money Flow (CMF), indicador de momento que monitora fluxo de capital pelo preço e volume, permanece abaixo da linha neutra (zero). O índice também segue sendo negociado sob uma linha de tendência descendente, traçada a partir dos topos registrados desde o fim de dezembro.
Isso cria uma divergência relevante, não no gráfico de preço, mas entre dois indicadores. O valor das ações já superou o VWAP, indicando média de negociação dos institucionais em elevação, porém o CMF sugere que a intensidade desses aportes não apresentou sinal expressivo de aumento.
Em outras palavras, o preço se estabilizou, mas o impulso dos grandes investidores ainda precisa mostrar melhora. Um padrão semelhante foi observado durante a tentativa anterior da Nvidia de superar a marca de US$ 197 no fim de fevereiro. Embora o entusiasmo gerado pelos resultados tenha impulsionado a cotação da NVDA para além da linha de pescoço do padrão, confirmando um rompimento, fluxos institucionais fracos comprometeram o rali.
O rali perdeu força porque o CMF permaneceu abaixo do nível zero (e também da linha de tendência), indicando que os fluxos institucionais não eram contundentes o suficiente para sustentar o movimento.
Para que a recuperação atual ganhe força, o CMF precisaria superar tanto sua linha de tendência descendente quanto o nível zero. Esse movimento indicaria que a demanda institucional está se fortalecendo ao mesmo tempo em que a estrutura de preço melhora.
Preço-alvo da NVIDIA de US$ 225 surge, mas resistências-chave precisam ser superadas
Caso a pressão compradora continue crescendo, o próximo desafio da Nvidia será superar a resistência próxima de US$ 192, a linha de pescoço. Esse patamar está cerca de 5,4% acima do preço atual. Um rompimento acima desse valor provavelmente retornaria o foco ao pico anterior próximo de US$ 197 impulsionado pelos resultados.
A partir desse ponto, o caminho para alvos superiores se abre rapidamente.
Um movimento consistente acima de US$ 197 pode levar a Nvidia a buscar o patamar de US$ 211 e, depois, a região de US$ 225, um nível que corresponde à projeção do padrão mais amplo. Em um cenário de rali mais intenso, a ação da Nvidia pode até se aproximar de US$ 236, representando a próxima grande extensão de alta.
No entanto, riscos de queda persistem caso a recuperação perca fôlego. O suporte mais imediato está em torno de US$ 176, enquanto a estrutura mais ampla se enfraquece caso a Nvidia registre valores abaixo de US$ 170. Uma queda sob US$ 169 invalidaria completamente o cenário atual e indicaria o retorno do controle das vendas.
No momento desta reportagem, a recuperação da Nvidia reabriu a possibilidade de uma nova tentativa rumo à região de US$ 225. Mas a concretização desse movimento dependerá principalmente do fortalecimento da demanda institucional nos próximos pregões.