O Bitcoin opera acima de US$ 88 mil nesta semana, mas a estrutura de mercado subjacente mostra sinais crescentes de fragilidade. Volatilidade recente, liquidez reduzida e enfraquecimento da demanda aumentam preocupações de que o setor possa estar saindo de uma fase avançada de alta e caminhando para um ciclo de baixa no início de 2026.
Diversos indicadores on-chain e de estrutura de mercado apontam para a mesma direção. Isoladamente, nenhum desses sinais confirma o início de um bear market completo. Em conjunto, entretanto, sugerem aumento do risco de queda e enfraquecimento do suporte.
Demanda por Bitcoin desacelera após impulsos anteriores
O aparente crescimento da demanda do Bitcoin monitora o volume de novas compras em relação à oferta disponível.
SponsoredOs dados mais recentes indicam desaceleração após múltiplos impulsos anteriores no ciclo. Embora o Bitcoin tenha sustentado preços mais altos durante boa parte de 2025, a demanda não atingiu novos patamares.
Essa divergência sinaliza que a força dos preços foi sustentada mais por momentum e alavancagem do que por compras à vista.
Historicamente, quando o crescimento da demanda estabiliza ou cai enquanto o preço permanece elevado, os mercados passam de fase de acumulação para distribuição. Esse cenário geralmente marca o início de um ciclo de baixa ou de consolidação prolongada.
ETFs spot perdem força no quarto trimestre
Os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA têm sido a principal fonte de demanda estrutural neste ciclo.
Em 2024, as entradas em ETFs aceleraram de forma constante até o final do ano. Já no quarto trimestre de 2025, observa-se estabilização nas entradas e, em alguns períodos, redução dos aportes.
Essa mudança é relevante porque os ETFs representam capital de longo prazo, diferentemente das operações especulativas de curto prazo.
Quando a demanda por ETFs diminui com preços elevados, isso sugere recuo dos grandes compradores. Sem fluxos institucionais contínuos, o Bitcoin fica mais suscetível à volatilidade provocada por derivativos e posições especulativas.
Investidores sofisticados reduzem exposição
Carteiras que detêm de 100 a 1 mil BTC, conhecidas como “golfinhos”, costumam estar associadas a investidores sofisticados e fundos.
Dados atuais apontam queda acentuada nas participações dos golfinhos em um período de um ano. Comportamento semelhante foi observado no final de 2021 e início de 2022, antecedendo recuos mais expressivos do mercado.
Esse movimento não sinaliza venda em pânico.
Na verdade, indica redução de risco por grandes investidores. No histórico do mercado, quando este grupo distribui ativos com preços elevados, isso costuma refletir expectativas de retornos menores ou de consolidação por um período prolongado.
Taxas de financiamento caem nas exchanges
As taxas de financiamento medem o custo para que operadores mantenham posições alavancadas.
Nas principais exchanges, as taxas de financiamento do Bitcoin entraram em queda consistente. Isso indica queda na demanda por alavancagem, mesmo com preços relativamente altos.
SponsoredNos ciclos de alta, grandes valorizações são acompanhadas por taxas mais positivas e busca persistente por posições compradas.
Por outro lado, as taxas de financiamento em queda indicam que operadores estão menos confiantes e menos dispostos a pagar caro para manter posições. Esse cenário geralmente antecede movimentos de preço voláteis ou reversão de tendência.
Bitcoin rompe suporte crítico de longo prazo
A média móvel de 365 dias é um indicador de tendência de longo prazo que historicamente separa ciclos de alta dos de baixa.
O Bitcoin agora caiu abaixo desse nível pelo primeiro período sustentado desde o início de 2022. Quedas anteriores motivadas por fatores macroeconômicos em 2024 e no começo de 2025 testaram esse patamar, mas não chegaram a fechar abaixo dele.
Uma queda sustentada abaixo da média de 365 dias não garante um colapso. Porém, indica uma mudança no momento de longo prazo e eleva a possibilidade de que recuperações encontrem resistência mais forte.
Sponsored SponsoredAté onde pode cair?
Caso esses sinais continuem convergindo, dados históricos servem como referência e não como previsão.
O preço realizado do Bitcoin, atualmente próximo de US$ 56 mil, representa o custo médio dos investidores. Em mercados de baixa anteriores, o ativo frequentemente atingiu fundo perto ou ligeiramente abaixo dessa marca.
Isso não significa que o Bitcoin precisa cair para US$ 56 mil. Indica, entretanto, que, em caso de um mercado totalmente baixista, compradores de longo prazo historicamente retomam posições próximas dessa faixa.
Entre o patamar atual e o preço realizado existe uma ampla gama de possíveis movimentos, incluindo uma permanência lateralizada prolongada em vez de uma queda acentuada.
Cenário atual
Em 22 de dezembro, o Bitcoin segue limitado em um intervalo, com liquidez reduzida e alta sensibilidade a movimentos impulsionados por alavancagem. Participação do varejo permanece cautelosa, enquanto fluxos institucionais registram desaceleração.
Altcoins continuam mais expostas que o Bitcoin. Essas moedas dependem mais da demanda de investidores de varejo e são mais afetadas quando a liquidez diminui.
Considerando esses cinco gráficos, a análise sugere que o mercado de cripto pode estar entrando em uma fase de distribuição de final de ciclo, com risco crescente de um mercado de baixa a partir do início de 2026 caso a demanda não se recupere.
A tendência enfraqueceu, mas não está comprometida de forma irreversível. Entretanto, a margem para erros é cada vez menor.