As ações da Nvidia (NVDA) fecharam acima de US$ 165 em 30 de março, acumulando uma queda superior a 9% desde 25 de março. O papel agora está exatamente sobre a linha do pescoço de um padrão de cabeça e ombros, que projeta uma retração de 11% caso ocorra o rompimento.
A desvalorização levou os papéis da Nvidia ao teste técnico mais relevante desde o início de 2026. A análise do gráfico diário, dados de fluxo institucional e a posição em opções apontam para cenários divergentes.
Venda de memória para IA provoca queda da Nvidia até o limite
O catalisador por trás da queda de 9% no preço da NVDA remonta a 24 de março, quando o Google anunciou o TurboQuant, um algoritmo de compressão de memória que reduz em até seis vezes a necessidade de memória de modelos de IA sem comprometer o desempenho.
O anúncio provocou forte recuo nas ações de fabricantes de memória para IA. Micron perdeu cerca de 20% e SanDisk caiu aproximadamente 18% nos dias seguintes.
Relatos de que a OpenAI estaria reduzindo os investimentos em data centers intensificaram ainda mais a pressão. O acordo firmado em outubro de 2025, no qual a OpenAI garantiria 40% do fornecimento global de DRAM, sustentava a tese de escassez de memória. Qualquer recuo nesse compromisso enfraquece as perspectivas de demanda por memória de alta largura de banda, um insumo crítico para a produção de GPUs da Nvidia.
A combinação desses fatores derrubou a cotação da NVDA para US$ 165 em 30 de março.
O gráfico diário destaca o impacto estrutural. A turbulência envolvendo memória para IA quase levou as ações da NVDA abaixo da linha do pescoço do padrão cabeça e ombros. Caso ocorra a ruptura, a projeção aponta para nova retração de 11%. O formato descendente da linha do pescoço dificulta um rompimento rápido, já que o preço precisa cair continuamente para alcançá-la, mas a NVDA está a poucos passos do patamar crítico.
O indicador Chaikin Money Flow (CMF), que mede pressão compradora e vendedora institucional, traz nuances. Houve tentativa do CMF de superar a linha zero entre 10 e 16 de março, indicando breve retomada do interesse de grandes investidores, mas não se sustentou e recuou para -0,24.
No entanto, entre 5 de fevereiro e 30 de março, mesmo com a tendência de baixa nos preços das ações, o CMF conseguiu se manter em patamar mais alto.
O indicador permanece pouco acima de -0,25. Caso o CMF recue além desse patamar, ficará evidenciado que investidores institucionais estão liderando as vendas, aumentando a probabilidade de uma ruptura acentuada na linha do pescoço.
Relação put-call indica que traders de opções aproveitam a queda
Enquanto o gráfico de preços e o fluxo monetário indicam fragilidade, o índice put-call da Nvidia traz outra perspectiva. Em 25 de março, quando a queda começou, o volume put-call marcava 0,89, mostrando praticamente equilíbrio entre posições pessimistas (puts) e otimistas (calls).
Até 30 de março, a razão havia caído 16,8% chegando a 0,74, ou seja, o volume de calls (apostas de alta) cresceu consideravelmente em relação aos puts, mesmo com o recuo das cotações. O mercado pode estar mirando os objetivos otimistas de Wall Street para a NVDA.
O analista Timothy Arcuri, do UBS, reiterou recomendação de compra para os papéis da Nvidia em 20 de março, com preço-alvo de US$ 245, o que representa potencial de valorização em 48%. A projeção, divulgada cinco dias antes do início da turbulência nos ativos de memória para IA, considera a demanda sustentada pelo envio de GPUs Rubin e trata as restrições de fornecimento de memória como um obstáculo passageiro, evitando apontar mudanças estruturais no setor.
Uma razão de volume inferior a 0,80 para um ativo que recuou mais de 9% em cinco pregões chama atenção. O dado indica que operadores de opções usam a queda para assumir posições otimistas, em vez de se protegerem contra mais recuos.
A proporção de open interest, que reflete posições de prazo mais longo, permaneceu em 0,89, sugerindo que o livro predominante, com viés de baixa das semanas anteriores, segue inalterado. O novo fluxo se concentra em apostas otimistas, mas as posições antigas de venda não foram liquidadas.
Essa diferença entre baixa nos preços e aumento nas calls segue a análise institucional do UBS e cria um cenário em que eventual reação positiva na linha do pescoço pode deflagrar uma pressão de recompra nas opções. Entretanto, se houver ruptura para baixo, investidores em calls podem enfrentar perdas rápidas, amplificando o recuo em direção às projeções baixistas.
Principais níveis de preço das ações da Nvidia para acompanhar
O preço da ação da Nvidia agora é negociado abaixo das quatro principais médias móveis exponenciais (EMAs). As médias móveis exponenciais (EMAs) são indicadores de tendência que atribuem mais peso aos preços mais recentes para identificar o direcionamento dos movimentos.
A média móvel exponencial (EMA) de 20 dias está em US$ 177, enquanto as EMAs de 50 e 100 dias estão em US$ 181, e a EMA de 200 dias em US$ 174. O cruzamento negativo entre as EMAs de 50 e 100 dias foi concluído na última semana de março, adicionando uma pressão de longo prazo. Esse fator parece ter contribuído para a correção no preço da NVDA.
Os principais níveis técnicos posicionam o nível de 0,618 em US$ 174, em alinhamento próximo à EMA de 200 dias. A faixa entre US$ 173 e US$ 174 torna-se um alvo fundamental de recuperação. Um retorno acima de US$ 165 neutraliza a ameaça imediata da linha do pescoço, e a reconquista dos US$ 174 colocaria o preço acima da EMA de 200 dias, abrindo caminho para US$ 183 e US$ 188. Acima de US$ 188, a meta de preço do analista do UBS pode começar a se mostrar viável.
Um fechamento diário acima de US$ 174 projeta US$ 183 e enfraquece a tese de quebra. Caso o patamar de US$ 165 não seja recuperado nas próximas sessões, confirma-se a configuração de cabeça e ombros, o que abre espaço para uma movimentação de 11% em direção a US$ 146.