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Grandes ecossistemas globais negligenciaram a América Latina, diz executivo da Coinbase

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Escrito e editado por
Aline Fernandes

19 janeiro 2026 10:01 BRT
  • Guilherme Bettanin, líder da Base na América Latina, detalha estratégia para o Brasil.
  • Foco será expandir ecossistema Base (blockchain camada 2) no mercado brasileiro.
  • Planos incluem conectar projetos locais a aceleração e financiamento global.
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O BeInCrypto Brasil entrevistou com exclusividade Guilherme Bettanin, responsável pela Base na América Latina.

O executivo da maior exchange americana revelou planos de expansão do ecossistema Base — blockchain de camada 2 — no Brasil e estratégias para conectar projetos locais a oportunidades globais de aceleração e financiamento. Confira.

Desenvolvedores no foco da Coinbase

Aline Fernandes (BeInCrypto) Guilherme, você assumiu o cargo de Country Lead da Coinbase no Brasil há seis meses e agora em toda a América Latina. Quais são as suas prioridades estratégicas para os primeiros 12 meses, nesse primeiro ano de atuação por aqui?

Guilherme Bettanin: Eu colocaria as prioridades em três frentes. As duas primeiras eu já venho trabalhando muito nesses últimos seis meses. A primeira é trazer novos desenvolvedores e novos projetos para a nossa blockchain.

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Isso passa por um trabalho muito focado em educação, conhecimento e suporte para novas startups saírem do zero para o um, participando de hackathons e encontrando apoio, tanto na parte de negócio quanto na parte técnica.

Conectamos essas pessoas e equipes no nosso sistema global para apoiar startups e contribuidores individuais e ajudar a comunidade a criar coisas juntas e iniciar projetos na Base.

A segunda frente é ajudar times a saírem de um (01) para 10. Um exemplo foi a Base Founder House em Florianópolis, em novembro de 2025.

Nós trouxemos 15 startups da América Latina para o Brasil para se conectarem com fundos de venture capital, mentores de fundraising e mentores de growth na área de cripto. São startups que já estavam com produto funcionando em mainnet, com alguma tração, receita e operação rodando.

A ideia foi criar um ambiente onde founders pudessem ter tempo de qualidade com pessoas que normalmente são muito difíceis de acessar sem pressão, em conversas de 30 minutos, uma hora, até duas horas. Nós já estamos vendo impacto na estratégia e na tração de várias equipes que participaram.

E a terceira frente, que ganha mais peso nos próximos seis meses, é um foco maior em retail. É trazer usuários finais para o ecossistema, para a Base, para o Base App e para os aplicativos que já estão na Base. Queremos ajudar esses projetos a penetrar ainda mais o mercado brasileiro, pontua Guilherme.

Calendário global no Brasil e América Latina

AF : Na prática, o que significa “fomentar o ecossistema da Base” no Brasil? Como isso se traduz em ações? E, no caso da Founder House, por que Florianópolis?

Guilherme Bettanin: Sobre presença no Brasil, não é só Florianópolis. Criamos uma rede de embaixadores e contribuidores ao redor do Brasil, com atuação em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e outros estados. A ideia é estar presente em diferentes polos.

Nós também estamos sempre nos principais eventos cripto do país e de tecnologia tradicional. Eu, por exemplo, fui ao Fórum E-Commerce falar sobre cripto. Era um ambiente com pouca gente do setor, mas com dezenas de milhares de pessoas querendo aprender; exemplifica o executivo da Coinbase.

A Founder House em Florianópolis aconteceu por dois motivos. O primeiro foi a logística. Aconteceu na semana anterior à Devconnect e queríamos criar um roteiro descendo em direção a Buenos Aires, Argentina. Tinha um intervalo entre a Ethereum Week e a Devconnect, e nessa semana acontecia a Ethereum Floripa, que não era uma conferência tradicional, mas quase um retiro de builders. Isso encaixou perfeitamente.

O segundo motivo é que Florianópolis tem uma comunidade cripto grande e já havia iniciativas acontecendo ali. Eu sou de Florianópolis e já trabalhei no fortalecimento do ecossistema local. Em 2022, eu ajudei a fundar e fomentar um dos primeiros hubs cripto físicos da cidade, o Hub 9.3, e chegamos a receber mais de 150 builders naquele ano.

Então, juntar a energia local com esse calendário internacional fez muito sentido. Além disso, a gente queria tirar os founders do “furacão” dos grandes eventos e levar para um lugar mais imersivo, que favorece conversas profundas e conexões reais.

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América Latina foi negligenciada

AF:  Você já disse que tem convicção de que a Base é o ecossistema ideal para builders brasileiros. O que torna o Brasil um mercado estratégico para a Base?

Guilherme Bettanin: O Brasil é estratégico por vários fatores. Primeiro, eu falo isso também pela minha experiência como founder.

Eu sei como grandes ecossistemas globais negligenciaram a América Latina e o Brasil por muito tempo. Para um desenvolvedor latino, é muito mais difícil conseguir atenção global, ser levado a sério e mostrar talento e capacidade de competir com players de outras regiões. Existe um estigma sobre a América Latina que não corresponde à realidade.

Temos uma densidade de talento enorme. Tem pessoas muito batalhadoras, com muita vontade de construir e dar certo. Nós (Brasil) temos uma necessidade maior. Somos um povo que está sempre construindo em busca da inovação!

E, na minha visão, não existe outro ecossistema que consiga ajudar founders com distribuição como a Base.  A plataforma oferece suporte para startups, conexão global, credibilidade e acesso a grandes players, em parte porque é ligada à Coinbase. Isso abre portas para founders daqui que historicamente tinham dificuldades de acessar.

Em cripto desde 2017, Guilherme revelou ainda que passou por todas as etapas de um builder que não tinha nem dinheiro para comprar passagem para ir aos hackatons até montar uma equipe de 20 pessoas e construir um protocolo que cresceu muito para mais de 100 mil usuários.

Além disso, internamente, há um foco real na América Latina. Não é discurso. Existe uma crença forte de que protocolos relevantes globalmente podem sair daqui, e isso orienta as iniciativas que a gente vem colocando de pé.

Atitude para somar com a Base

AF: E, no perfil do desenvolvedor brasileiro, o que mais se alinha à visão da Base?

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Guilherme Bettanin: Eu gosto de usar “builders” em vez de “desenvolvedores” porque quando a gente fala só em desenvolvedor, parece que exclui construtores não técnicos, como quem trabalha com comunidade, eventos, marketing, e isso é essencial para o ecossistema.

O que faz um builders  se destacar é “ser Base” no sentido de atitude. É querer somar, agregar, contribuir de forma positiva, ter adaptabilidade, entender o que está acontecendo no mercado e ajustar a solução a isso. Também é estar disposto a ouvir, ter humildade, querer aprender e construir junto. Buscamos pessoas que querem ser ajudadas de verdade, porque podemos ajudar esses talentos a ter sucesso.

O que também me chama a atenção é ver desenvolvedores que compreendem o ecossistema, aproveitam oportunidades e conectam estratégias para crescer na Base. Assim conseguem se alavancar nas oportunidades disponíveis, conectando pontos, protocolos e estratégias para crescer mais por estarem conosco.

Grants e programa global de aceleração podem oferecer até 5 ETH

AF: Falando agora de aceleração, distribuição e funding, quais trilhas de apoio a Coinbase e a Base estão oferecendo para founders e builders? Como funciona a “escada” de suporte?

Guilherme Bettanin: Temos um grande caminho para suporte. Começa na fase de experimentação. Nessa fase, existem grants para builders. O programa de grants pode oferecer de 1 a 5 ETH, o que hoje dá até cerca de US$ 15 mil. É voltado para equipes menores que precisam de estrutura para sair do zero. A concessão depende de tração, maturidade e do que já foi construído.

Além disso, realizamos meetups para conectar essas equipes com pessoas importantes do ecossistema e oferece “builder hours” com fundos de venture capital e investidores de ponta, para feedback e direcionamento. Junto disso entram hackathons e iniciativas que ajudam o projeto a se estruturar.

Quando o experimento vira um projeto, ele pode entrar no Base Batches, nosso programa global de incubação e aceleração. Aí existem duas tracks: a track de builders, que funciona como um hackathon com período de construção e demonstração do que foi entregue, e a track de startup, em que a gente avalia o progresso e conecta diretamente com fundos e mentores de growth.

No Base Batches, já distribuímos até US$ 1 milhão em prêmios por edição. Já fizemos duas edições e a tendência é continuar. Depois, quando o projeto está mais estruturado e com mais tração, entram incentivos caso a caso. Assim, podemos conectar com a Coinbase Ventures, que é uma equipe separada da Base, e também com os melhores VCs do mundo em cripto.

Nós também oferecemos newsletter para investidores, conexão direta e apoio em estratégia de crescimento e distribuição, incluindo divulgação nos canais oficiais da Base, como build on Base e páginas regionais como Base Brasil.

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A lógica é simples: grant pequena sozinha não resolve. Founder que quer sucesso precisa de capital maior, apoio de fundraising, mentoria e distribuição. É isso que faz o projeto vir, ficar e crescer na Base.

Brasil terá dashboard global

AF:  Para quem quer começar, quais são os caminhos mais rápidos para um builder brasileiro entrar no ecossistema? Existe um hub de recursos centralizado?

Guilherme Bettanin: Sim. Estamos criando páginas no Notion para cada país e isso está virando uma iniciativa global.

No caso do Brasil, existe um dashboard onde estão reunidos os recursos para builders brasileiros começarem na Base: desde participar de hackathons, buscar apoio e funding, até caminhos de growth. Ali você entende para onde ir, se precisa preencher um formulário, falar diretamente comigo ou com um embaixador.

Além disso, a gente tem Discord. Existem um servidor brasileiro e um servidor global. No global, fica concentrado o suporte técnico, e a gente costuma responder rápido, normalmente no mesmo dia.

AF:  Você acredita que veremos mais startups brasileiras migrando para a Base ou novos projetos nativos surgindo a partir de iniciativas locais?

Guilherme Bettanin: Os dois. Pela minha experiência nos últimos seis ou sete meses, eu tenho visto muitas startups migrando para a Base de outros ecossistemas, abandonando um ecossistema e focando totalmente na Base por conta do crescimento e dos planos para o futuro. Também vejo muitos projetos multi-chain percebendo que não podem ficar fora da Base e aumentando a dedicação ao ecossistema.

E, ao mesmo tempo, estão surgindo projetos novos que já nascem na Base, nativamente, desde o início, influenciados pelo que a gente vem fazendo.

Um exemplo bem interessante de um caso que, não vou citar o ecossistema, mas foi um projeto que estava em um outro ecossistema com um X valor em TVL estagnado há seis meses. Em três meses, dentro da Base , passou para 10x mantendo aquele outro ecossistema.

AF: Para fechar, olhando para a adoção e a maturidade do mercado brasileiro, como você enxerga o papel do Brasil na Web3 na América Latina, especialmente com as regulações mais recentes?

Guilherme Bettanin: Eu não sou especialista em regulação, mas em termos de adoção e de papel regional, eu vejo o Brasil como líder na América Latina. O Brasil lidera o avanço na regulamentação, e a clareza vem aumentando. Como empresa americana, a Coinbase trabalha próximo dos reguladores, buscando esse diálogo.

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