As ações da SpaceX (SPCX) caíram abaixo do preço de IPO de US$ 150, com o valor de mercado recuando para menos de US$ 2 trilhões pela primeira vez desde a estreia na bolsa.
A queda ampliou a desvalorização da SPCX em relação ao pico de US$ 225,64 registrado na semana passada. Operadores agora discutem se a valorização superou os fundamentos da companhia.
Ações da SpaceX perdem marca de US$ 2 trilhões
A SpaceX precificou seu IPO em US$ 135 por ação e abriu ao redor de US$ 150 em 12 de junho. Avaliada em cerca de US$ 75 bilhões, a transação foi o maior debut da Nasdaq já registrado.
O papel atingiu a máxima intradiária de US$ 225,64 em 16 de junho antes de recuar. O valor de mercado seguia próximo de US$ 2,22 trilhões no fechamento de segunda-feira.
A pressão vendedora se intensificou após a companhia lançar sua primeira emissão de títulos. O objetivo dos títulos sêniores é captar pelo menos US$ 20 bilhões.
Os recursos vão quitar um empréstimo-ponte e viabilizar projetos de IA e data centers. A SpaceX também revelou possuir cerca de US$ 100,8 bilhões em caixa.
Atualmente, o valor das ações ficou inferior ao preço de abertura de US$ 150, enquanto a capitalização de mercado caiu para menos de US$ 2 trilhões, a primeira vez que isso ocorre desde sua estreia.
A forte queda pós-IPO levou muitos investidores do mercado secundário para o ponto de equilíbrio ou para prejuízo.
Cinco referências para acompanhar com a ampliação da queda
A estreia da SpaceX atraiu recursos e atenção que saíram de empresas menores do setor espacial listadas na bolsa. A queda de segunda-feira impactou essas companhias de forma desigual, separando as operações de risco elevado dos grandes nomes do segmento.
A Alphabet oferece a exposição mais estável ao setor. O investimento de cerca de 6%, feito em 2015 por cerca de US$ 900 milhões, pode valer mais de US$ 100 bilhões com a SpaceX valendo US$ 2 trilhões. A desvalorização de 5% na segunda-feira acompanhou a saída de talentos de IA, e não a rotação no segmento espacial, porém ocorreu paralelamente à retração da SPCX.
Rocket Lab representa a rival mais próxima listada, desenvolvendo o foguete Neutron para desafiar o Falcon 9. Tornou-se a primeira ação focada exclusivamente em espaço a integrar o Nasdaq-100 em 22 de junho, mas ainda assim caiu 8%. A carteira de pedidos alcançou US$ 2,2 bilhões no último trimestre.
A T-Mobile apresentou pouca oscilação. Com beta próximo a 0,3, a parceira da Starlink no T-Satellite é vista mais como posição defensiva que uma aposta no setor espacial.
AST SpaceMobile e Intuitive Machines foram as mais impactadas. ASTS, concorrente direta em telefonia via satélite, perdeu quase um quarto do valor de mercado no último mês.
A LUNR utiliza o Falcon 9 em suas missões lunares para a NASA. Teve recuo de cerca de um terço no mesmo período. A prevista captação de US$ 500 milhões e o aumento nas apostas vendidas aumentam a pressão sobre o papel.
Se a SpaceX conseguirá sustentar uma avaliação na casa dos trilhões de dólares segue como tema de debate entre bolha e valorização legítima. Apesar disso, a Susquehanna iniciou cobertura da SpaceX com recomendação neutra e preço-alvo de US$ 170, citando boas perspectivas de crescimento, porém avaliação exigente.
A empresa projeta forte avanço nas receitas até 2030, impulsionadas por lançamentos, Starlink e inteligência artificial.
“Porém, analistas recomendam aguardar por um momento mais adequado de entrada, destacando riscos como atrasos no Starship, competição da Starlink e incertezas sobre receitas com inteligência artificial”, informou Walter na X.
O que acompanhar a seguir?
Os próximos pregões vão mostrar se os US$ 2 trilhões servirão como piso ou se haverá novas quedas. A emissão de títulos testa o apetite dos investidores, enquanto a valorização já está mais de 30% abaixo do pico.
De toda forma, o desempenho do segmento espacial pode continuar sendo guiado pela SPCX.









