As ações da Strategy (antiga MicroStrategy) sobem cerca de 3% nesta manhã, sendo negociadas acima de US$ 137 com a abertura dos mercados hoje (9). A empresa acaba de anunciar a aquisição de mais 17.994 BTC por US$ 1,28 bilhão.
O papel acumula queda de 57% nos últimos seis meses, mas, mesmo assim, supera tanto o Bitcoin quanto a Microsoft no acumulado do ano. O motivo está na volatilidade amplificada da companhia, que tem beneficiado os acionistas.
Bitcoin caiu 22% neste ano, mas Strategy teve desempenho superior
A Strategy historicamente apresenta um beta entre 1,5 e 1,8x em relação ao Bitcoin, indicando que costuma potencializar os movimentos do BTC em ambas as direções. Contudo, 2026 apresenta uma dinâmica diferente.
No acumulado do ano, o Bitcoin caiu de 22,07% enquanto as ações da Strategy recuaram apenas 9,50%. Isso representa uma relação de queda próxima a 0,4x, distante dos 1,8x anteriores.
Por outro lado, o efeito amplificador permanece na alta. De 5 de fevereiro a 6 de março, o papel da MSTR avançou cerca de 44% dentro desse intervalo, enquanto o Bitcoin subiu cerca de 15%. Trata-se de um multiplicador próximo a 3x em valorizações.
Isso mostra que a MSTR absorveu menos da metade das perdas do Bitcoin enquanto mantém um tesouro de 738.731 BTC, avaliados em torno de US$ 51,1 bilhões conforme os preços atuais.
Como comparação, a Microsoft caiu de 14,26% no ano. A Tesla registrou queda de 12,60%. Os papéis da Amazon mostram recuo de 8,14%. Já S&P 500 e Nasdaq-100 têm desempenho negativo.
As ações da Strategy superam grande parte do grupo conhecido como “Magnificent Seven”, apesar de o ativo principal ter registrado queda acima de 22% este ano.
Os grandes investidores parecem estar atentos. O Chaikin Money Flow (CMF) cruzou a linha do zero por volta de 25 de fevereiro e seguiu em alta, mesmo após as ações da Strategy recuarem desde meados de janeiro.
Os fluxos relevantes podem ter amortecido o preço de forma mais eficiente que o BTC.
Essa divergência entre a baixa das ações e o avanço do CMF é típica de movimentos de grandes participantes, que montam posição em patamares descontados. Porém, agora já se observa queda no CMF, levando ao próximo ponto da análise.
O desconto do mNAV atraiu investidores institucionais e agora o dividendo os mantém
O mNAV, ou múltiplo sobre o valor patrimonial líquido, compara o valor de mercado da Strategy ao montante de Bitcoin que possui. Na fórmula diluída, divide-se o número efetivo de ações diluídas pelas reservas de BTC e multiplica-se o resultado pelo preço do Bitcoin.
Um índice inferior a 1,0x indica que as ações estão cotadas abaixo do valor correspondente à sua reserva de BTC (o que é considerado positivo).
Em dezembro de 2025, o mNAV diluído atingiu 0,92x: 342,97 milhões de ações a US$ 158,81 ante 671.268 BTC a US$ 87.808. Assim, os papéis da Strategy estavam 8% mais baratos que as reservas de Bitcoin. Isso explica por que
Nas semanas seguintes, o CMF cruzou novamente o patamar zero, confirmando a entrada de grandes investidores no desconto. Porém, em 9 de março, essa diferença desapareceu.
Com 374,5 milhões de ações diluídas acima de US$ 137 e reservas de 738.731 BTC acima de US$ 69.100, o mNAV diluído atinge 1,01x. Portanto, a janela de desconto se encerrou, e o CMF voltou a cair.
Já a STRC, ação preferencial perpétua da Série A com taxa variável da Strategy, permanece atrativa. A STRC paga um dividendo anualizado de 11,50%, já são sete aumentos consecutivos, distribuídos mensalmente em dinheiro.
Para investidores que buscam renda sem exposição direta ao Bitcoin, esse rendimento é o grande atrativo.
O STRC pode explicar por que o On-Balance Volume (OBV) da MSTR, indicador que reflete o interesse do varejo, seguiu em tendência de alta durante todo o período de valorização, mesmo após o desconto do mNAV ter desaparecido.
Veja como se fecha o ciclo completo em 2026:
- Queda: o Bitcoin recua, a MSTR cai, mas em um ritmo menos acentuado do que o esperado. O mNAV segue comprimido abaixo de 1,0x e investidores de ações ordinárias acessam o BTC com desconto.
- Alta: o Bitcoin se recupera, a MSTR valoriza-se três vezes mais rápido, o mNAV volta a superar 1,0x e a Strategy capta recursos com ágio, ampliando sua posição em BTC, melhorando a razão de cobertura do STRC.
Os dois movimentos fortalecem o caixa. O modelo se assemelha mais a uma característica do que a uma falha.
Preço da MSTR precisa fechar acima de US$ 140 para abrir espaço para níveis mais altos
A estrutura técnica das ações da Strategy reforça a tese fundamentalista, mas apresenta um limite bem definido.
Entre o início de janeiro e o começo de março, o preço registrou mínimas mais baixas enquanto o índice de força relativa (RSI), indicador de momento, apontou mínimas ascendentes. Trata-se de uma divergência autista clássica, que permaneceu ativa até 6 de março.
O canal de alta iniciado em 5 de fevereiro segue preservado. Tomando por base os níveis de Fibonacci traçados a partir desse fundo, o preço da MSTR está próximo do patamar 0,5, em US$ 136. A próxima resistência aparece na Fibonacci 0,618, em US$ 140, apenas cerca de 3% acima da cotação atual.
Um fechamento diário acima de US$ 140 confirmaria o rompimento na metade superior da faixa de consolidação, abrindo espaço para alvos na Fibonacci 1,0 (US$ 154) e na extensão 1,618 em US$ 176. O patamar de US$ 176 representaria um avanço de quase 29% a partir do preço atual.
Considerando a relação beta de três vezes nesse canal, o Bitcoin precisaria de uma alta de apenas cerca de 10% para impulsionar essa magnitude de valorização das ações da Strategy.
Por outro lado, uma queda abaixo de US$ 136 pressionaria o cenário atual. Caso a MSTR perca o suporte em US$ 132 (Fibonacci 0,382), a divergência autista observada em 6 de março ficará bastante enfraquecida. Isso abriria espaço para recuos até US$ 126 (Fibonacci 0,236) e, possivelmente, até o piso do canal, próximo de US$ 118.
No entanto, com base no perfil beta projetado para 2026, a proporção de queda da MSTR foi reduzida para cerca de 0,4x, absorvendo menos da metade do recuo do Bitcoin.
Além disso, mesmo que o Bitcoin registre correção mais acentuada, uma retração maior apenas devolveria o mNAV ao patamar inferior a 1,0x, reabrindo um período de desconto que atraiu o capital institucional no final de 2025. Para os acionistas da Strategy, o cálculo é favorável nos dois sentidos.