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2022 será o ano dos casos de uso de cripto, diz LatAm Lead da Celo

7 mins
Atualizado por Júlia V. Kurtz

EM RESUMO

  • LatAm Lead da Celo alerta para fake news cripto.
  • Acesso aos criptoativos tem que ser democrático e barato, explica Mila Rioja.
  • Projetos NFTs com baixa usabilidade podem gerar bolhas.
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A LatAm Lead da Celo, Mila Rioja, fala sobre o mercado cripto e o que deve vir por aí após o recente boom dos tokens não fungíveis (NFTs), chegada do metaverso e explica que crypto não é uma indústria que vai solucionar tudo.

  • Como você vê esse crescente boom no mercado NFT? A gente viu a explosão no ano passado, que já vinha nesse movimento em 2020. Mas o que esperar para 2022?

Mila Rioja: É a pergunta do ano! A palavra do ano no dicionário Collins em 2021 foi NFT, o número de procuras no Google é impressionante e a gente sabe que é isso que está todo mundo falando.

O que vemos nessas pesquisas são opiniões bastante fervorosas e apaixonadas com relação a possibilidade de um mercado que pode ser bilionário e global e por outro lado tem aqueles assuntos que sempre são muito relevantes de serem tratados:  a possibilidade de bolhas ou superinflação em alguns casos que não tem muita usabilidade.  

E, para navegar dentro dessas narrativas, uma coisa é muito necessária : o discernimento. Cripto, não é uma indústria que a gente pode dizer que tem solução para todas as questões.

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O que eu acho que vai acontecer agora em 2022, pelo que eu vejo nesses anos de mercado, e levando em consideração que a tecnologia, blockchain, cripto, NFT é nascente – eu acho que este ano vamos explorar os casos de uso.

Para que você possa usar um NFT além de um artigo bonito com som e a imagem que você quer ter propriedade, os tokens tem várias utilidades que vão além, como por exemplo: o acesso a alguma coisa super vip.

Imagina que, a partir de hoje, os desfiles do São Paulo Fashion Week para você ter acesso, você teria NFTs específicos de determinada coleção de roupa e que os itens mais exclusivos conseguiriam, por exemplo, te levar ao backstage.

Mesma coisa para a música: a gente vai ter Rock In Rio, tantos eventos legais, como a Copa do Mundo – o que será que vai acontecer com os melhores lances da Copa do Mundo?  Enfim, são infinitas possibilidades de usabilidade.

Eu acho que no ano de 2022 – se houver uma perspectiva de melhora da situação com relação ao coronavírus – vai ser um ano de retorno as atividades sociais e os NFTs certamente farão parte disso. Listas, eventos e festas vips com acessos exclusivos a partir de Tokens já fazem parte do universo dos multibilionários já garantindo mais possibilidades para os NFTs para determinados bens, produtos, serviços e negócios

Então eu vejo sim a possibilidade de um lado positivo com relação à usabilidade para esses casos de uso mais relacionados a retomada do que a gente gosta e chama de social.

  • Mas a pandemia trouxe uma lição para o mundo que é vida virtual. Hoje fazemos quase tudo online –  desde compras a fechamento de negócios bilionários ou até uma audiência judicial que até pouco tempo era impensável, mas será que existirá acesso para todos os bolsos? Sabemos que boa parte dos NFTs são extremamente caros.

Isso me possibilita tocar em alguns pontos muito interessantes.

O primeiro deles é com relação ao uso do NFT no metaverso ou para quem já está muito habituado a esse mundo digital. Esse pessoal eu nem considerei na minha reposta porque eles são os nativos e eu realmente vejo o ano de 2022 como a expansão para o que a gente chama de interessados, ou os newbies, que é aquela galera novata. Eu vejo 2022 como o ano que vai trazer pessoas que não estão acostumadas com esse ambiente..

E uma das chaves para abertura desse mercado é acessibilidade e por acessibilidade temos que falar de algumas coisas. Uma delas é o preço e a outra delas é a facilidade de você adquirir esses ativos virtuais.

Porque, se para adquirir esse ativo virtual for preciso ter cripto, isso já é uma barreira de entrada, mas hoje em dia tem diversas soluções, inclusive, não posso deixar de comentar aqui: na Celo é possível fazer esse tipo de aquisição de forma muito simples, sem barreiras de entrada e utilizando alguns toques dentro do seu telefone celular.

Então, o segundo ponto chave talvez seja essa questão da usabilidade do ponto de vista de acessibilidade.

  • Então como um leigo pode explorar melhor esse universo?

Mila Rioja: Hoje em dia existem diversos sites, marketplaces que podem com uma certa facilidade serem operados por pessoas que não tem conhecimento no mundo cripto, basicamente o que precisa fazer é ter um login e uma senha, fazer um upload de um arquivo digital, no caso um NFT, escolher quais serão as suas preferências com relação aos direitos que você vai ceder, colocar o preço. E aí o mercado regula e isso pode começar desde uma brincadeira que você pode fazer com uma fotografia de um momento importante, obras de arte e quem sabe um mix disso tudo.

O que é muito importante entender são as plataformas utilizadas, porque os custos estão relacionados aos de transação e operação de registro no blockchain. Na Celo, por exemplo, para conseguir registar alguma informação custa cerca de R$ 0,01, e isso quer dizer que o preço de custo de entrada é muito baixo para o artista e, por conseguinte, o mercado também pode optar por fazer diferentes coisas com esse NFT, como por exemplo doação. Isso é um caso de uso que eu acho que vai ser bastante interessante em 2022.

  • Como você vê o crescimento dos crimes cripto no Brasil, uma vez que, com o mercado ainda incipiente por aqui, os criminosos se aproveitam da falta de conhecimento de muitos?

Mila Rioja: É preciso educação financeira. Tem algumas questões que precisam de pelo menos um pouquinho de conhecimento em tecnologia, economia, finanças de investimento, mercado, então é uma conjuntura de fatores e de especialidades que não é mesmo tradicional e eu posso te dizer que eu estou em constante aprendizado.

Tem uma sigla no mercado cripto em inglês DYOR que quer dizer Do Your Own Research ou Faça a sua própria pesquisa. Significa que o usuário precisa procurar indicativos de projetos sérios que tenham um White Paper por exemplo, ter um time de pessoas sérias do mercado com comprovação da expertise e olhar para o desempenho do Token, checar registros com autoridades e órgãos competentes.

É importante ficar muito atento na mídia, na comunidade porque todos estão sujeitos aos golpes.

  • Recentemente você participou de uma palestra em El Salvador, que é a primeira nação a adotar o Bitcoin como moeda legal no mundo. Como que você vê esse movimento em um país com uma economia tão frágil, uma história política tão conturbada? E quais os desafios que a gente pode encontrar aqui na América Latina – incluindo o Brasil – para a implementação de criptomoedas por exemplo?

Mila Rioja: Foi uma experiência incrível poder estar no palco principal da La Bit Conf – a conferência mais antiga de Bitcoin com foco na América Latina com casos de uso, entendimento sobre e como utilizar. Claro que os usos variam de país para país por questões econômicas, sociais e legais.

Então para mim foi muito importante ter esse papel e poder falar no palco principal junto com essas pessoas que fazem essa indústria desde o início sobre questões que estão muito latentes, como por exemplo, um possível uso por instituições e governos da tecnologia Blockchain. Meu painel foi sobre isso. Não só Bitcoin, mas como governos e instituições utilizam Blockchain em prol de um benefício para sociedade.

Participei de eventos em diferentes lugares com a comunidade el salvadorenha e governo. Pude observar que existe ainda muitas dúvidas por parte da população sobre o que é cripto e quais os efeitos dessa legislação.

Do ponto de vista técnico, hoje em dia em El Salvador você pode utilizar o Bitcoin para comprar McDonald’s, uma pulseirinha, um brinco em uma feirinha, um café. Algo bem interessante em El Salvador que sequer usa uma moeda fiduciária própria. Um salto exponencial de mudança no uso de moedas na economia.

Nós da Celo organizamos um hackathon e damos suporte semanal de como as pessoas podem lidar melhor com o Bitcoin e as criptomoedas em geral e um mercado ainda muito incipiente.

Essa experiência em El Salvador foi muito interessante e a comunidade tem muito apetite por aprender. E uma das nossas propostas chama Prosperidade para Todos e para compartilhar prosperidade, você precisa que ela seja acessível, então ela (tecnologia) precisa estar disponível no celular – no Iphone e no Xiomi, em um Nokia tijolão.

Existem mulheres na África que recebem pagamento através de Nokia tijolão. No Afeganistão, mulheres estão operando Bitcoin no meio de uma guerra civil. Elas conseguiram uma solução financeira, como conseguir fugir do caos todo após a saída das tropas Americanas por exemplo.

Precisamos separar o joio do trigo. Não é fácil discernir informações de fake news. Eu já me enganei. Em algum momento todo mundo vai se enganar. É uma tecnologia nascente.

Por isso precisamos aprender os conceitos. Por exemplo: qual é a blockchain? Qual é o algoritmo de consenso? PoS? PoW? Qual é a diferença disso? como são? Qual é o custo de registro de uma informação no blockchain? Como funcionam os custos de transação? Tem stablecoin?

Temos uma força intelectual gigante nesse país para expandir e crescer. A partir do momento que vamos para o mainstream, mais pessoas entendendo sobre crypto, a gente precisa passar por essa ponta da educação.

Eu acho que o nível de criticidade vai subir muito e toda a indústria vai apanhar nesse processo. Projetos bons, médios e excelentes. Todo mundo vai apanhar de alguma forma.

Porque está todo mundo querendo um espaço no mercado cripto, não é? Pode ter uma tensão dentro do próprio setor. Acho que pode ter uma tensão legislativa, regulatória e de aprendizagem .

Mas o que vai acontecer com tudo isso? Um funil. naturalmente eu acho que muitos projetos que não são legais devem desaparecer e os legais devem começar a crescer e entusiasmar ainda mais o mercado. Tudo isso trará um impacto muito positivo.

Iremos aprender com algumas ações e deveremos ver a maior usabilidade de cripto no dia a dia, o crescimento das finanças descentralizadas com novas soluções disponíveis para mais gente.

Espero também muita inovação. Eu gostaria que o Brasil realmente continuasse se colocando à frente com relação ao desenvolvimento de tecnologias. Hoje em dia o Brasil é casa de mais de 20 unicórnios na América Latina e eu sou sempre otimista!!!

Arte: Thiago Barboza/BeInCrypto

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Aline Fernandes
Aline Fernandes atua há 20 anos como jornalista. Especializada nas editorias de economia, agronegócio e internacional trabalha na BeINCrypto como editora do site brasileiro. Já passou por diversas redações e emissoras do país, incluindo canais setorizados como Globo News, Bloomberg News, Canal Rural, Canal do Boi, SBT, Record e Rádio Estadão/ESPM. Atuou também como correspondente internacional em Nova York e foi setorista de economia dentro do pregão da BM&F Bovespa, hoje B3 -...
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